CMO Summit 2026 reforça uma virada no marketing: a conversa virou infraestrutura de crescimento
O ponto central não é a tecnologia isolada. É a forma como a conversa reorganiza a jornada do consumidor
10.04.2026

*Danilo Zanott
Durante muito tempo, o marketing foi desenhado para levar pessoas até páginas, formulários e etapas previsíveis. Campanhas levavam para landing pages. Landing pages levavam para cadastros. Cadastros levavam para alguém.
Esse modelo ainda existe. Mas está perdendo força.
O que o CMO Summit reforçou é uma mudança relevante no marketing. O crescimento das marcas passa a depender menos de jornadas rígidas e mais da capacidade de construir interações contínuas, contextuais e conectadas. Nesse cenário, o marketing conversacional ganha espaço e deixa de ser apenas atendimento para assumir um papel estratégico.
Os dados ajudam a explicar esse movimento. Segundo o estudo Mapa do Ecossistema Brasileiro de Bots 2025, do Mobile Time, o Brasil já ultrapassou 1 milhão de bots criados, com mais de 160 mil robôs de conversação ativos e centenas de milhões de sessões mensais. O uso de automação conversacional já é realidade em setores como varejo, serviços financeiros, saúde e indústria.
O ponto central não é a tecnologia isolada. É a forma como a conversa reorganiza a jornada do consumidor.
A conversa conecta aquisição, conversão, atendimento, relacionamento e retenção de forma mais fluida. Em vez de experiências fragmentadas entre canais, começa a surgir um modelo mais contínuo, com menos perda de contexto e mais capacidade de resposta.
Na prática, o gargalo raramente está apenas na campanha. Ele aparece no que acontece depois. Está na quebra entre canais, na demora, na falta de continuidade e na dificuldade de personalização. É nesse espaço que o marketing conversacional se torna decisivo.
Quando integrada a CRM, mídia, atendimento e inteligência operacional, a conversa deixa de ser apenas um canal. Passa a operar como infraestrutura de crescimento. Ela concentra dados, contexto e interação em um mesmo fluxo, reduzindo fricções e aumentando eficiência.
Para os CMOs, isso muda o foco do marketing. O desafio deixa de ser apenas gerar demanda e passa a ser sustentar contexto ao longo da jornada. Isso exige integração entre áreas, uso mais inteligente de dados e uma visão mais conectada entre marketing, vendas e atendimento.
O marketing conversacional não é uma tendência isolada. Ele representa uma mudança na forma como as empresas crescem.
Empresas que ainda tratam a conversa como suporte podem estar ignorando um dos principais pontos de contato com o cliente. E, cada vez mais, é nesse ponto que a decisão acontece.
*Danilo Zanott é Gerente de Marketing na Digisac, da Ikatec
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