Da publi à cultura: porque o futuro das marcas não está mais na influência

Marcela Calura, Head de Conteúdo da Africa Creative, analisa a transição dos criadores de conteúdo de meros canais de mídia para agentes estratégicos que moldam a cultura e geram valor real para as marcas

Adnews

05.05.2026

Da publi à cultura: porque o futuro das marcas não está mais na influência
Marcela Calura, Head de Conteúdo da Africa Creative- Credito foto: Rodrigo Pirim

Por Marcela Calura, Head de Conteúdo da Africa Creative

A forma como as marcas olham para a Creator Economy vem mudando ano após ano. Se lá em 2013 a influência pautava o discurso e a ‘publi’ ressignificava formatos; hoje a experiência e a relação com a comunidade pautam o que a gente vislumbra sobre co-criação.

Parece óbvio que as marcas precisam ouvir mais, co-criar e se comportar como as comunidades, que o futuro desse mercado são colaborações… Mas isso de fato está se materializando?

Ainda existe quem trate as collabs entre marcas e creators como uma simples equação de alcance, awareness e likes - como se o papel do creator se resumisse a amplificar mensagens e entregar métricas de visibilidade. Spoiler: isso não é factível há muito tempo.

À medida que a Creator Economy amadurece, insistir nesse modelo não é apenas limitado, é ineficiente. Marcas que ainda investem em criadores apenas como mídia desperdiçam investimento e apostam em campanhas focadas no transacional: geram atenção momentânea, mas constroem pouco valor duradouro.

A audiência sozinha não basta, o que importa de fato é o comportamento e a relevância.

As collabs precisam operar em outra lógica. Marcas precisam entender que os creators não são apenas rostos ou inventário de atenção, mas são agentes culturais. É aí que as coisas começam a ficar mais interessantes. Se o criador deixou de ser apenas canal de distribuição para ocupar um espaço muito mais estratégico, onde ele atua hoje? Qual o seu papel?

No papel criativo, os criadores se tornam ativos estratégicos para as marcas. São eles que dominam linguagem, estética, comportamento e timing das plataformas. Mais do que traduzir briefings, ajudam a moldar produtos, narrativas, experiências e repertórios culturais. Nesse contexto, deixam de ser divulgadores para se tornarem co-autores de valor.

No papel estratégico, os criadores funcionam como uma consultoria cultural viva: conectam marcas a comunidades, legitimam discursos e aceleram relevância de maneira que formatos tradicionais dificilmente conseguem reproduzir com a mesma velocidade e escala.

Hoje, a maior transformação no papel do creator está no lugar do negócio. Muitos criadores são como empresas independentes: têm sua própria comunidade, poder de influência sobre consumo, capacidade de lançar produtos e construir ecossistemas de marca e isso muda muito a lógica das colaborações.

A marca deixa de comprar atenção para acessar dentro desses grupos coisas mais importantes: credibilidade, desejo e pertencimento. E isso é tudo que a gente quer, né?

O futuro das collabs não é sobre a atenção comprada, mas sim sobre criar parcerias capazes de gerar valor cultural, comercial e simbólico de forma legítima e genuína.

Resumindo em uma frase de impacto: o futuro das collabs é sobre deixar de parecer publicidade e parecer a própria cultura.

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