Deepfakes e Eleições: O "faroeste digital" coloca o Brasil no topo dos ataques na América Latina
Deepfakes e Eleições: O "faroeste digital" coloca o Brasil no topo dos ataques na América Latina Com alta de 126% em fraudes de identidade, país chega ao Dia da Internet Segura como o 7º mais visado do mundo; especialistas alertam para o impacto da IA generativa nas urnas em 2026
05.02.2026

O Brasil entra em 2026 sob fogo cruzado digital. No próximo dia 11 de fevereiro, o Dia da Internet Segura encontra um país que não apenas lidera o ranking de ataques cibernéticos na América Latina (84% do total da região), mas que se tornou o laboratório global para uma ameaça silenciosa e hiper-realista: os deepfakes.
Somente no último ano, as fraudes envolvendo manipulação de imagem e voz por Inteligência Artificial cresceram 126% em território nacional. O dado, extraído do Identity Fraud Report 2025–2026, acende o alerta máximo para as eleições de outubro, quando 155 milhões de brasileiros escolherão novos governantes sob a sombra de vídeos e áudios falsos indistinguíveis da realidade.
A "arma" das eleições de 2026 Diferente de anos anteriores, onde o texto era a principal ferramenta de desinformação, o cenário atual é dominado pela IA generativa. "Deepfakes não são mais apenas uma ameaça teórica: já observamos casos concretos de fraudes financeiras e manipulação de opinião pública utilizando essa tecnologia", pontua Lucas Monteiro, Martech Leader da Keyrus.
Para tentar conter o caos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já endureceu o jogo com a Resolução nº 23.732/2024, que proíbe o uso de conteúdos produzidos por IA para enganar o eleitor. No entanto, o desafio é técnico: 63% das notícias falsas que circulam no país já estão ligadas a temas de campanha.
“Hoje falamos muito sobre internet segura porque a internet se tornou uma necessidade básica. Prefere que alguém invada sua casa e roube seu sofá ou que entre no seu Instagram e apague todas as suas postagens? O que doeria mais?”, reflete o especialista em dados e professor da FGV, Kenneth Corrêa.
Anatomia do Caos: 315 bilhões de tentativas Os números de 2025 ajudam a explicar por que o Brasil é hoje o 7º país mais atacado do planeta. Foram 315 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos apenas no primeiro semestre. A rápida digitalização de setores como saúde e finanças, somada a sistemas antigos e vulneráveis, criou o cenário perfeito para criminosos.
Para Fernando Corrêa, CEO da Security First, a "engenharia social" — o ato de enganar o usuário através de gatilhos emocionais — é o motor dessa crise. "Um único clique pode comprometer toda a rede da empresa", alerta.
Manual de Sobrevivência Digital em 2026 Diante da sofisticação de ferramentas como o FraudGPT, especialistas elencam 5 pilares de proteção imediata:
Autenticação de Dois Fatores (2FA): Essencial, mas ainda ignorada por grande parte dos brasileiros.
Desconfiança Ativa: Ofertas "agressivas" em datas comemorativas e vídeos de políticos com falas fora de contexto devem ser checados exaustivamente.
Higiene de Dados: Limitar a exposição da rotina em redes sociais evita que criminosos criem perfis fakes convincentes.
Atualização de Sistemas: Softwares desatualizados são portas abertas para ataques de ransomware.
Verificação de Origem: No ambiente de trabalho remoto, o risco deixa de ser individual e passa a ser organizacional.
O consenso entre as lideranças de tecnologia é claro: no Brasil de 2026, a segurança digital não é mais um diferencial técnico, mas um exercício diário de cidadania e autodefesa.
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