Deezer desmonetiza até 85% dos streams de músicas geradas por IA e passa a vender tecnologia de detecção

Plataforma identifica fraudes em grande escala, remove conteúdos do fundo de royalties e amplia uso comercial de ferramenta proprietária

Adnews

29.01.2026

Deezer desmonetiza até 85% dos streams de músicas geradas por IA e passa a vender tecnologia de detecção

A Deezer confirmou a desmonetização de até 85% dos streams associados a músicas geradas por Inteligência Artificial (IA) após identificar altos índices de fraude nesse tipo de conteúdo. Um ano após o lançamento de sua ferramenta proprietária de detecção, a plataforma passa agora a comercializar a tecnologia para o mercado fonográfico, com foco em transparência e proteção de direitos autorais.

Em 2025, a Deezer detectou e sinalizou mais de 13,4 milhões de faixas geradas por IA, além de registrar cerca de 60 mil uploads diários desse tipo de conteúdo — o equivalente a aproximadamente 39% de todas as músicas recebidas diariamente pela plataforma. Apesar disso, essas faixas representaram até 3% do total de streams.

Segundo a empresa, até 85% das reproduções associadas a músicas geradas por IA foram classificadas como fraudulentas ao longo de 2025, dependendo do mês. No restante do catálogo da plataforma, o índice de fraude em streaming foi de 8% no mesmo período.

“A música gerada inteiramente por IA tornou-se quase indistinguível da criação humana e, com o fluxo contínuo de uploads para plataformas de streaming, nossa abordagem permanece honesta: transparência para os fãs e proteção dos direitos de artistas e compositores. Sabemos que a maioria das músicas geradas por IA são publicadas na Deezer com o objetivo de cometer fraudes, e continuamos a agir”, afirma Alexis Lanternier, CEO da Deezer.

De acordo com o executivo, as faixas identificadas como geradas por IA são marcadas, removidas das recomendações algorítmicas e têm seus streams fraudulentos desmonetizados. “Detectamos e marcamos como músicas geradas por IA e as removemos das recomendações algorítmicas, para que nossos usuários tenham uma escolha clara sobre o que ouvir, ao mesmo tempo que dificultamos a manipulação do sistema por fraudadores. E, claro, cada reprodução fraudulenta que detectamos é desmonetizada para que os direitos autorais de artistas, compositores e outros detentores de direitos não sejam afetados”, diz Lanternier.

Tecnologia passa a ser licenciada para a indústria musical

Até agora, a Deezer afirma ser a única plataforma de streaming a marcar e excluir explicitamente músicas geradas por IA de seus sistemas de recomendação. Com a ampliação da estratégia, a empresa passa a licenciar sua tecnologia de detecção para outros agentes do setor, com o objetivo de reduzir incentivos à fraude e ampliar a transparência no ecossistema musical.

“Observamos um grande interesse tanto em nossa abordagem quanto em nossa ferramenta, e já realizamos testes bem-sucedidos com líderes do setor, incluindo a Sacem. A partir de agora, estamos licenciando a tecnologia para torná-la amplamente disponível para o mercado”, afirma o CEO da Deezer.

Na América Latina, a iniciativa também é vista como estratégica. “Com esta iniciativa, damos mais um passo na nossa missão de equilibrar crescimento tecnológico e sustentabilidade do ecossistema musical. Estamos comprometidos em trazer ao Brasil tecnologia que não apenas detecta conteúdos gerados por IA, mas que também protege os direitos de quem cria e incentiva a criatividade humana como motor principal da plataforma”, destaca Rodrigo Vicentini, General Manager da Deezer na região.

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