Desafios da comunicação em 2026 envolvem novos hábitos de consumo e o impacto da inteligência artificial

Especialista projeta que o sucesso das marcas e governos dependerá do equilíbrio entre tecnologias emergentes e a construção de reputação humana

Adnews

06.02.2026

Desafios da comunicação em 2026 envolvem novos hábitos de consumo e o impacto da inteligência artificial
Foto de Ravi Roshan

O cenário da comunicação em 2026 é marcado pela necessidade de simplificação de processos e personalização de experiências, conforme aponta o relatório de inovação da Dentsu (Human Truths in the Algorithmic Era). No entanto, o setor enfrenta fenômenos como a "ressaca da informação" e o hábito do doomscrolling, que dificultam a entrega de conteúdos sem ruídos ao usuário final.

Para Lília Lopes, Diretora de Publicidade na Prefeitura Municipal de Salvador (PMS), este momento exige que organizações e governos revisem suas estratégias para lidar com a seletividade do público. “A ‘ressaca da informação’, que integra o quadro defasado da Comunicação para 2026, desponta como um dos maiores desafios para governos, empresas e organizações no mundo todo. Ao longo do ano, esses agentes precisarão se ajustar à velocidade das informações e às demandas de consumidores (GenZ, Alpha) cada vez mais exigentes, críticos e seletivos; que descartam conteúdos que não sejam relevantes ou confiáveis”, afirma.

O paradoxo da inteligência artificial

Uma das tendências mais complexas para o período é o chamado "paradoxo da IA". Embora ferramentas de inteligência artificial tenham alcançado níveis elevados de realismo e utilidade técnica, ainda enfrentam barreiras de aceitação no consumo final. “Esse último, sem dúvidas, é o que mais causa estranheza.

Estamos caminhando para um ano em que as ferramentas de IA alcançam um marco super realista, mas que ainda assim, conseguimos notar uma certa resistência dos consumidores finais. Obras que já vem marcadas como ‘conteúdo de IA’, naturalmente, têm menos apelo entre o público. No entanto, ferramentas como o Grok, ChatGPT e o VEO 3 seguem amplamente difundidas e utilizadas no mercado, facilitando o processo de ‘desenvolvimento’; mas ainda muito longe de serem aceitas como ‘produto final’ na comunicação de marcas, influenciadores ou governos”, explica a diretora.

Vídeos curtos e reputação institucional

Em 2026, os vídeos curtos, como Reels e Shorts, consolidam-se como o formato principal das estratégias de comunicação, deixando de ser apenas uma opção complementar. A mudança acompanha o comportamento das gerações Z e Alpha, que ditam a transformação no entretenimento e no diálogo de mercado. Lília Lopes destaca que, diante da pulverização de dados, a consolidação da reputação institucional torna-se um pilar de sobrevivência. “Isso porquê, com a informação cada vez mais pulverizada, as microcomunidades buscam (após a chamada dos influencers) checar as informações com autoridades. Nesse processo, que deve se afunilar até o final do ano, é importante que os governos fortaleçam sua presença no meio digital, simplificando as informações e o acesso para ter mais assertividade e relevância à nível global”, comenta.

O papel da Geração X na liderança

Com quase 30 anos de experiência, a profissional ressalta que as lideranças da Geração X possuem papel estratégico na condução dessas mudanças. Para ela, esses gestores oferecem o equilíbrio necessário entre a inovação tecnológica e a construção de confiança.

“Os profissionais da GenX têm uma posição única neste cenário. Eles entendem a velocidade da informação, dominam a comunicação digital e, ao mesmo tempo, conhecem os fundamentos da construção de confiança e reputação. Em 2026, o sucesso da Comunicação pública dependerá da capacidade desses líderes para equilibrar inovação, dados e narrativa humana; garantindo que a mensagem não apenas chegue, mas seja compreendida e internalizada pelos cidadãos”, conclui.

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