Do hype à utilidade: o que falta para a inteligência artificial fazer sentido para o consumidor

No Web Summit Rio 2026, executivos discutem por que a adoção da inteligência artificial depende menos da tecnologia em si e mais da capacidade de criar experiências que façam sentido para as pessoas

Do hype à utilidade: o que falta para a inteligência artificial fazer sentido para o consumidor

Durante anos, a inteligência artificial ocupou espaço nas apresentações corporativas como promessa. Primeiro vieram as previsões sobre o potencial da tecnologia. Depois, a corrida das empresas para anunciar ferramentas, soluções e plataformas baseadas em IA. Agora, uma nova pergunta começa a ganhar espaço: o que, de fato, muda para o consumidor?

Essa foi uma das questões que orientaram a conversa no painel "Matando o ciclo de hype da IA", realizado durante o Web Summit Rio 2026. Ao lado de Guilherme Stefanini, CMO do Grupo Stefanini, e Márcio Carvalho, CMO da Claro Brasil, discutimos um tema que tem se tornado cada vez mais presente dentro das empresas: a distância entre o entusiasmo em torno da tecnologia e a percepção de valor por parte das pessoas.

A inteligência artificial deixou de ser uma novidade. O assunto ocupa reuniões, estratégias de marketing, planos de investimento e discursos corporativos. Ainda assim, boa parte dos consumidores não consegue identificar de que maneira ela melhora sua experiência, facilita tarefas ou resolve problemas do cotidiano.

Essa distância ajuda a explicar por que tantas iniciativas encontram dificuldade para avançar. Não basta incorporar inteligência artificial a produtos e serviços. É preciso que seu uso faça sentido, seja compreendido e encontre espaço na rotina das pessoas.

Durante a conversa, ficou evidente que confiança continua sendo uma das palavras mais importantes quando o assunto é adoção tecnológica. Consumidores podem até demonstrar curiosidade diante de novas ferramentas, mas a permanência depende de fatores mais concretos, como utilidade, transparência e consistência.

Outro ponto discutido foi a tendência de associar inovação apenas ao lançamento de novas tecnologias. Muitas vezes, o diferencial está menos na ferramenta e mais na forma como ela é aplicada. Soluções simples, capazes de resolver problemas específicos, costumam gerar resultados mais duradouros do que recursos desenvolvidos apenas para demonstrar capacidade tecnológica.

A inteligência artificial também desafia profissionais de marketing a repensar sua forma de comunicação. Em um ambiente saturado por promessas, cresce a necessidade de traduzir conceitos complexos em benefícios que possam ser percebidos pelo público. A tecnologia precisa deixar de ser protagonista da narrativa para dar lugar às experiências que ela torna possíveis.

O debate realizado no Web Summit Rio mostrou que a próxima etapa da inteligência artificial não será definida apenas pelos avanços técnicos. Ela também dependerá da capacidade das empresas de criar produtos, serviços e experiências que as pessoas escolham utilizar porque fazem diferença em seu dia a dia.

Depois de anos de expectativas elevadas, talvez o principal desafio da IA seja justamente o mais simples: ser útil.

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