Do "Product Placement" ao "Product Replacement": Uma Nova Fronteira da Publicidade com IA
O conceito de "Replacement 2.0" promete revolucionar a inserção de marcas em conteúdos audiovisuais após o lançamento
09.04.2026

Hoje quero conversar com vocês sobre um conceito que está prestes a revolucionar a forma como vemos publicidade em filmes e séries, algo que estou chamando de "Replacement 2.0".
Quem trabalha com marketing sabe o que é product placement: aquela prática de inserir produtos de forma orgânica dentro de uma cena. É algo complexo, difícil de mensurar e, muitas vezes, uma aposta de alto custo, considerando o longo ciclo de vida de uma produção cinematográfica. Por esses motivos, nunca foi uma prática tão comum ou regulada no nosso meio publicitário aqui no Brasil.
Anos atrás, tive contato com uma empresa que se dizia especialista nisso, responsável por colocar produtos, como uma garrafa de 51, sutilmente em cena. Lembro também de outros exemplos, como aquela pelúcia de olhinhos brilhantes que apareceu em séries como Bird Box. É uma inserção sutil, quase parte do cenário.
**A chegada do "Replacement 2.0" ** Agora, imagine o seguinte: e se, em vez de planejar a inserção de um produto meses ou anos antes da filmagem, fosse possível colocá-lo digitalmente em qualquer filme ou série depois de já terem sido lançados? É aqui que a Inteligência Artificial entra em cena e transforma o placement em replacement (substituição).
Essa nova prática vai criar uma margem para novos tipos de campanhas. Teremos filmes e séries onde produtos poderão ser inseridos dinamicamente. O mais impressionante (e talvez preocupante) é que isso poderá ser feito até mesmo por usuários comuns.
Isso me leva a dois pontos de reflexão importantes:
Para as marcas: Como você vai conseguir identificar se o seu produto está sendo aplicado de maneira irregular em uma obra? Isso se conecta diretamente com a discussão sobre conteúdo gerado por usuário. Campanhas podem surgir para fomentar a criação de conteúdo viral, onde as pessoas inserem produtos em cenas e ganham dinheiro com isso.
Para o público: O que antes era uma cena de filme ou série, pode se transformar em um meme viral com um novo elemento inserido. Pense nos inúmeros memes que recriam trechos de filmes. Agora, imagine esses memes contendo produtos de grandes marcas, de forma tão natural que pareçam parte da cena original.
A Linha Tênue entre o Oficial e o Não Oficial
Com o avanço da IA, essa prática de "replacement" vai se tornar cada vez mais frequente. O que hoje é uma experimentação pode, em algum momento, se tornar um novo formato de mídia oficial.
Porém, ao mesmo tempo, entramos em um território perigoso. Pense em um artista que tem sua imagem associada a uma marca sem sua permissão, tudo feito por usuários de forma irregular e sem qualquer iniciativa da empresa. Isso já acontece e tende a se intensificar.
Estamos diante de um grande desafio de autenticidade e autoria. A linha que separa uma campanha publicitária oficial de uma criação não oficial de um fã (ou de um detrator) ficará cada vez mais borrada. Como vamos atribuir a autoria? Como saberemos o que é real e o que foi inserido depois?
Essa é uma tendência que precisamos observar de perto. O "replacement" de produtos não é apenas uma evolução tecnológica; é uma mudança que levanta questões profundas sobre criação, direitos autorais e a própria natureza da publicidade na era digital.
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