Educação corporativa eleva maturidade digital e transforma IA em competência no Asaas
Com o lançamento da plataforma interna IA Hub, a fintech registrou um salto de 152% na sofisticação de prompts e incluiu a tecnologia de inteligência artificial na rotina de mais de 1.300 colaboradores
02.07.2026

Enquanto um levantamento recente da consultoria Robert Half revela um ponto cego na governança corporativa — apontando que 4 em cada 10 empresas no Brasil não oferecem diretrizes para o uso responsável de Inteligência Artificial e apenas 15% mantêm programas contínuos de capacitação —, o Asaas adotou uma estratégia de antecipação. A plataforma de gestão financeira e operacional para empresas estruturou um ecossistema interno focado em mitigar o uso improvisado da tecnologia, convertendo o período de experimentação individual em uma competência técnica replicável para o seu quadro de mais de 1.300 profissionais em regime de home office.
Como reflexo direto dessa política de treinamento, a companhia contabilizou um incremento de 152% no volume de mensagens customizadas direcionadas a ferramentas de IA. Essa métrica sinaliza o desenvolvimento de prompts (comandos de instrução) significativamente mais elaborados, construídos sob frameworks de contexto, personas e estruturas de dados complexas.
IA Hub: A Engrenagem de Governança e Automação
O amadurecimento operacional do time está ancorado no IA Hub, um ambiente conversacional corporativo e trilha de aprendizagem centralizada que entrou em atividade oficial no primeiro trimestre. O ecossistema atua sob rígidos critérios de conformidade e segurança da informação, registrando um avanço de 110% na criação e no consumo de novos modelos customizados de IA pelas diferentes divisões da empresa.
Na prática, os dados refletem a descentralização da tecnologia: áreas administrativas e operacionais passaram a arquitetar seus próprios fluxos automatizados de trabalho para o tratamento de tarefas repetitivas, análises preditivas e padronização de relatórios, com armazenamento e documentação auditáveis.
Impacto no Desenvolvimento: O reflexo mais expressivo da iniciativa consolida-se na área de Engenharia. Atualmente, cerca de 30% das linhas de código do Asaas são geradas com o suporte de ferramentas de inteligência artificial sob estrita supervisão humana. O uso supervisionado da tecnologia gerou um incremento de 30% na produtividade geral dos desenvolvedores.
Mapeamento do Repertório Interno: Uma auditoria de competências realizada internamente indicou que 47,5% do corpo de funcionários classifica o próprio domínio de ferramentas de IA como avançado ou especialista. Outros 46% posicionam-se no nível intermediário e apenas 6,5% declaram possuir conhecimento estritamente básico e conceitual.
"A educação interna é o caminho mais rápido para sair da fase de teste e chegar ao uso responsável e repetível. Quando as pessoas aprendem a estruturar pedidos, validar respostas e adaptar a ferramenta ao contexto do trabalho, a IA deixa de ser novidade e vira competência. Como empresa, lidamos com informações sensíveis e rotinas críticas. Então não é só saber usar IA, é saber usar com segurança e responsabilidade, com orientação clara sobre dados, validação e limites, para que a tecnologia acelere o trabalho sem colocar nada em risco." — Naamisis Campos, CHRO do Asaas.
Estrutura de Suporte: AI Enablement e AI Tools
Para garantir a capilaridade dos treinamentos e mitigar riscos operacionais ligados à exposição de dados sensíveis, o Asaas desenhou sua governança de aprendizagem a partir de duas frentes especializadas:
O time de AI Enablement atua como o elo estratégico entre as verticais de tecnologia, produto e operações. O objetivo da célula é desenhar diretrizes éticas e de conformidade regulatória, facilitando a aplicação da inteligência artificial na resolução de problemas do dia a dia do negócio. Para apoiar as trilhas, a empresa utiliza um estúdio interno em sua sede, em Joinville (SC), focado na produção de conteúdos proprietários e estudos de caso reais da operação.
Por sua vez, a divisão de AI Tools opera de forma focada na camada de infraestrutura de software. O time faz a transição das ferramentas de teste individuais para uma arquitetura madura e homologada, implementando agentes especializados diretamente na base de código da empresa para garantir a segurança no ciclo de desenvolvimento.
Para entender melhor como os líderes de tecnologia estão enxergando essa transição prática no mercado, vale a pena acompanhar a entrevista com o CEO do Asaas no Web Summit Rio, onde ele detalha o conceito de "Virada de AI" e como a criação de aplicações específicas para resolver dores reais do dia a dia substitui a corrida pela simples construção de modelos.
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