Escassez de talentos trava inovação e preocupa executivos para 2026

Pesquisa global mostra que 98% dos líderes veem falta de profissionais como obstáculo estratégico; Unico aposta em formação internacional para desenvolver equipes

Adnews

09.01.2026

Escassez de talentos trava inovação e preocupa executivos para 2026

A escassez de talentos em tecnologia aparece como um dos principais desafios para o planejamento estratégico das empresas em 2026. Em um cenário marcado pela pressão por resultados, avanço da inteligência artificial e automação, a falta de profissionais qualificados tem dificultado a inovação e gerado incertezas sobre investimentos capazes de produzir impactos reais nos negócios.

Pesquisa realizada pela Rimini Street em parceria com a Censuswide Research ouviu 4.300 executivos C-Level em todo o mundo, incluindo 370 no Brasil. O levantamento aponta que 46% dos diretores de tecnologia da informação (CIOs) e 43% dos CEOs consideram a automação e a adoção de inteligência artificial fundamentais tanto no curto quanto no longo prazo.

Apesar disso, 98% dos entrevistados afirmam que a escassez de talentos em TI impacta diretamente a viabilidade das estratégias de inovação. Entre os principais efeitos estão a dificuldade de explorar novas oportunidades de crescimento (36%), a sobrecarga das equipes internas (35%) e o aumento de vulnerabilidades técnicas (35%).

Mesmo reconhecendo a importância de parceiros tecnológicos externos, os executivos indicam que o desenvolvimento de talentos internos se tornou uma prioridade para enfrentar o déficit de profissionais especializados.

Estratégia para desenvolver talentos

Diante da alta competitividade por mão de obra qualificada, a Unico estruturou uma estratégia voltada à formação interna. Como parte de um programa contínuo de educação corporativa, a empresa realizou uma imersão internacional com 32 colaboradores nos Estados Unidos.

O grupo participou do programa Professional & Executive Development da Universidade Harvard e teve contato direto com o ecossistema do Vale do Silício, considerado um dos principais polos globais de inovação. A iniciativa combinou conteúdo teórico com experiências práticas de mercado.

Jon Fay, instrutor de Business Strategy no programa da DCE que acompanhou o grupo da Unico em Harvard, destaca que o ambiente competitivo atual rompeu com a lógica industrial tradicional. “Hoje, há muito mais ênfase em jogos estratégicos instáveis. Não se trata de ganhar pontos percentuais de market share, mas de decisões que determinam se a empresa será extremamente bem-sucedida ou um fracasso total”, afirma.

Liderança e desconforto estratégico

Para Rafaela Provensi, diretora sênior de Operações e Pessoas da Unico, o desenvolvimento de talentos exige preparo contínuo e capacidade de adaptação. “A imersão reforçou que o líder deve dar autonomia, mas também precisa de ferramentas para ajustar a rota com clareza estratégica”, afirma.

Segundo a executiva, o avanço tecnológico e a transformação dos modelos de negócio tornam inevitável o enfrentamento de cenários incertos. “A estratégia não é um mapa fixo, mas um sistema vivo, cheio de interdependências e escolhas imperfeitas. Cada modelo carrega seus próprios riscos”, explica.

A Unico tem adotado esse olhar de longo prazo desde antes de sua expansão internacional. Em 2021, levou colaboradores à Estônia, referência mundial em identidade digital. Em 2024 e 2025, promoveu imersões na China, país com um dos ecossistemas de inovação mais avançados do mundo.

Para Rafaela, o aprendizado é claro: a evolução organizacional passa pelo desconforto. “Se você não está desconfortável, está ficando irrelevante. Sistemas que sobrevivem são os que se permitem mudar antes de serem forçados”, conclui.

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