Especial “Mulheres em Destaque”: a trajetória de Christina Carvalho Pinto

Primeira mulher a presidir uma multinacional de publicidade na América Latina, a estrategista encerrou carreira corporativa para atuar em projetos de impacto social e proteção digital

Adnews

15.05.2026

Especial “Mulheres em Destaque”:  a trajetória de Christina Carvalho Pinto
Christina Carvalho Pinto

Christina Carvalho Pinto consolidou sua trajetória na comunicação como a primeira mulher na América Latina a ocupar a presidência de uma multinacional do setor, o Grupo Young & Rubicam, onde atuou como sócia-presidente e chairperson. Sob sua gestão, a companhia posicionou-se como a maior agência de propaganda global da época.

Eleita por duas vezes pela revista Forbes como a mulher mais influente do Brasil no segmento de marketing e publicidade, Carvalho Pinto acumula premiações nacionais e internacionais. Após o ciclo na Young & Rubicam, fundou o Grupo Full Jazz de Comunicação, organização que operou por mais de duas décadas e foi selecionada pela Fundação Dom Cabral como referência em inovação empresarial no país ao introduzir o conceito de marcas conscientes.

Transição de carreira e atuação social

Em 2019, a executiva encerrou as atividades profissionais no mercado publicitário para se dedicar à formação como roteirista de cinema e ao trabalho voluntário. Atualmente, Carvalho Pinto direciona sua atuação para projetos voltados à transformação social e preservação ambiental, integrando conselhos de diferentes organizações sem fins lucrativos.

Entre as frentes de atuação voluntária, destacam-se: Bem Querer Mulher: Programa de apoio e reconstrução de vida para mulheres e filhos vítimas de violência.

ABCD (Ação Brasileira para Consciência Digital): Organização não governamental focada na proteção de crianças e adolescentes em ambientes virtuais.

Em entrevista para o Adnews, Christina analisa a trajetória da mulher no mercado publicitário:

Como você vê a trajetória das mulheres nesse mercado?

**Christina: ** “Temos hoje grandes talentos femininos ocupando altos cargos no universo da Comunicação como um todo. É justo e obrigatório, pois, em pleno século 21, desperdiçar a capacidade de liderança da mulher seria um atraso histórico com graves consequências. Por outro lado, ainda vemos um número maior de homens na cadeira do número 1, mesmo no mundo da Comunicação, para o qual a mulher traz skills únicos, fundamentais, imperdíveis. Por exemplo: intuição aguçada e olhar sistêmico sobre cenários cada vez mais mutantes. Ainda não se inventou nada mais lucrativo - não só financeiramente, mas em múltiplos aspectos - do que o Masculino e o Feminino atuando de forma simétrica e equilibrada. O setor de Comunicação, por sua natureza fluida, tem tudo para dar o exemplo e mostrar aos outros setores as vantagens da simetria no alto escalão da liderança.”

Como a sua trajetória marca essa mudança? Como foi para você?

Christina: “Nasci e fui criada numa família de seis filhos. Sou a número 5, primeira mulher, com quatro irmãos bem mais velhos, homens de personalidade fortíssima, que sempre conflitaram entre si, mas me receberam com amor. Venho também de um pai forte, que sempre desejou ter uma filha, e de uma mãe destemida e líder natural. Ou seja: assim como amo o mundo feminino, amo também - e muito - o convívio com o masculino, que aprendi a compreender, desde a infância, numa profundidade à qual poucas mulheres têm acesso. Nunca olho para um homem como meu oponente. Vejo todos como irmãos. Encaro qualquer tipo de obstáculo como parte da experiência e sempre reagi ao machismo como guerreira, de igual para igual, jamais como vítima. Crachás nunca me intimidaram, pois meu primeiro, grande poder, foi e será sempre a Integridade. Existe grande afinidade entre pessoas íntegras, qualquer que seja o gênero.

Há muito anos deixei este mercado que foi, durante décadas, minha segunda casa. Meu legado é muito simples: aprendi e disseminei todas as camadas daquilo que se pode chamar de Consciência. Nós, criativos, temos por hábito mergulhar apaixonadamente nos desafios que nos apresentam, buscando saídas inusitadas, novas linguagens, formatos únicos, insights premiáveis. Essa é a maravilha da nossa profissão. Mas eu adicionei uma pergunta que vem antes do O QUE TENHO QUE FAZER. Pergunto sempre POR QUE E PARA QUEM VOU FAZER ISSO. Recuso-me terminantemente a criar narrativas maravilhosas para empresas de raízes podres. Tenho grande amor e respeito à Vida, não apenas à minha, mas à de todos e à do todo. Sempre busquei entender a relação do meu trabalho com a magnitude da existência. Essa reflexão é complexa, exige coragem e resume meu legado. Hoje me dedico fortemente ao trabalho voluntário para causas urgentes: a reconstrução da vida de mulheres e filhos vítimas de violência, através do Bem Querer Mulher: bemquerermulher.org.br; a proteção e defesa de crianças e adolescentes nos ambientes digitais, através da ABCD-Ação Brasileira para Consciência Digital: abcd.net.br. E uma série de outras atividades voluntárias. Neste momento, a vida me chama para cuidar. A recompensa não vem em forma de moeda, mas na possibilidade de atuar como agente de transformação.”

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