Estados Unidos lideram prioridades da agenda externa do próximo governo, aponta Amcham

Pesquisa com 732 líderes empresariais destaca relação Brasil–EUA, equilíbrio fiscal e segurança pública como temas centrais para 2026

Adnews

30.01.2026

Estados Unidos lideram prioridades da agenda externa do próximo governo, aponta Amcham

A relação com os Estados Unidos aparece como a principal prioridade da política externa do próximo governo brasileiro, segundo a Pesquisa Amcham, divulgada nesta sexta-feira (30), durante evento realizado na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo. O levantamento ouviu 732 líderes empresariais de diferentes setores da economia.

A pesquisa reúne a percepção do empresariado sobre as eleições presidenciais de 2026, o ambiente de negócios e as agendas estratégicas que devem orientar o próximo ciclo de governo, com foco em política externa, comércio e investimentos.

Eleições 2026: cautela e foco em economia

No cenário doméstico, os empresários apontam como principais prioridades para o próximo presidente da República o equilíbrio fiscal (83%), o combate à corrupção (43%), a segurança pública (40%) e a redução das taxas de juros (37%).

O ambiente eleitoral é visto com cautela. Para 39% dos entrevistados, o cenário é neutro, enquanto 31% se dizem pessimistas e 16% otimistas em relação às eleições de 2026. Outros 9% se declaram muito pessimistas, 2% muito otimistas e 3% não souberam avaliar. O resultado reflete a combinação de incerteza política, preocupação com a governabilidade e expectativas sobre a condução da agenda econômica.

Brasil–Estados Unidos no centro da agenda externa

Ao tratar da política externa e comercial, a relação com os Estados Unidos lidera as prioridades do empresariado. As agendas mais citadas foram:

Relação com os Estados Unidos (53%)

Atração de investimentos estrangeiros (46%)

Novos acordos de comércio (44%)

Acesso a mercados e redução de barreiras às exportações (35%)

“O empresariado associa cada vez mais a agenda externa à competitividade do país. A relação com os Estados Unidos aparece como prioridade por envolver a maior economia do mundo, a principal origem de investimentos estrangeiros no Brasil e um alto potencial em áreas como tecnologia, serviços e energia”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Apesar da relevância estratégica, 44% dos empresários consideram a relação bilateral desafiadora. Outros 38% avaliam o cenário como neutro e apenas 14% o classificam como favorável.

Tarifas são principal entrave aos negócios

As tarifas seguem como o principal obstáculo para ampliar os negócios entre Brasil e Estados Unidos, citadas por 70% dos empresários. O fator é visto como um limitador da competitividade dos produtos brasileiros e reforça a necessidade de avanços em entendimentos bilaterais.

Outros desafios mencionados incluem a taxa de câmbio (33%), barreiras não tarifárias (29%), escala e competitividade das empresas (25%), concorrência local (22%) e conhecimento do mercado americano (20%).

Prioridades nas negociações bilaterais

A pesquisa também mapeou os temas que devem ganhar prioridade nas negociações entre os dois países, segundo o setor privado:

Redução de barreiras comerciais (58%)

Redução de tarifas e ampliação do acesso a mercados (55%)

Combate ao crime organizado transnacional (42%)

Parcerias em investimentos (42%)

Minerais críticos e terras raras (36%)

Acordo para evitar a dupla tributação (35%)

“Há uma agenda bem definida pelo setor empresarial. O desafio será transformar essas prioridades em avanços concretos, especialmente em um ano eleitoral no Brasil”, destaca Abrão Neto.

Expectativas para 2026

Apesar das incertezas, a pesquisa aponta otimismo em relação ao desempenho das empresas. Para 84% dos entrevistados, há expectativa de crescimento do faturamento em 2026, sendo que 45% projetam expansão acima de 11%. Menos de 3% preveem retração.

O crescimento deve ser impulsionado principalmente pelo aumento das vendas no mercado interno (65%), pela redução de custos e ganhos de eficiência (55%) e por investimentos em transformação digital e inteligência artificial (38%).

Quanto ao ambiente de negócios no próximo governo (2027–2030), 35% acreditam em melhora, 26% projetam estabilidade e 25% esperam piora. Outros 14% não souberam avaliar.

“O empresariado segue comprometido com o crescimento e com os investimentos no país. Previsibilidade, equilíbrio fiscal e integração internacional serão decisivos”, conclui Abrão Neto.

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