Estudo da Softex expõe os gargalos de capital e talentos que limitam o crescimento do mercado de tecnologia e inovação no Brasil
Publicação do Observatório Softex mostra avanço na base empresarial e adoção acelerada de IA, mas alerta para escassez de profissionais qualificados, queda nos aportes de venture capital e investimento em P&D abaixo da média global
25.08.2026

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Softex lança caderno de TICs e alerta para gargalos no mercado de tecnologia do Brasil Linha Fina: Levantamento do Observatório Softex mostra que, apesar do crescimento na base de empresas e na adoção de IA, a falta de profissionais qualificados, a seca de investimentos e os baixos aportes em P&D ainda travam a escala do setor.
O Observatório Softex, unidade de inteligência estratégica e pesquisa aplicada voltada para o desenvolvimento da economia digital, lançou o segundo caderno da série TICs 2026. Intitulado "Empresas de TIC no Brasil: Perfil, Inovação, Startups e Mercado de Trabalho em 2026", o levantamento analisa os fatores estruturais da Indústria de Software e Serviços de TIC (ISSTIC) sob a ótica da competitividade de mercado, capacidade de inovação e atratividade para investimentos no ecossistema de tecnologia.
O estudo revela um paradoxo no mercado brasileiro: embora a base de empresas e a busca por soluções avançadas como Inteligência Artificial continuem crescendo, a maturidade das startups, o financiamento à inovação e a alta rotatividade por falta de mão de obra qualificada ainda travam a escala dos negócios.
Escassez de talentos e formação de mão de obra O gargalo na formação profissional continua sendo um dos principais obstáculos para o crescimento das empresas de tecnologia e para a execução de estratégias de marketing digital e desenvolvimento de produtos:
Oferta e concentração: Em 2024, o Brasil registrou 4.190 cursos de TI (9,2% do ensino superior nacional), com a região Sudeste concentrando 50% da oferta — São Paulo lidera o ranking, respondendo por 30,57% dos cursos;
Capacitação via EaD: O ensino a distância representa 87,3% das vagas e formou 109.875 profissionais (+30,6% em relação a 2023);
Qualidade em cheque: Cerca de 71% dos cursos avaliados pelo Enade possuem conceitos 2 ou 3, enquanto a taxa de evasão no EaD privado ultrapassa 50%;
Nicho em alta: A busca por especialização em Inteligência Artificial teve salto nas matrículas, passando de 396 para 3.250 entre 2022 e 2024. As vagas em Defesa Cibernética avançaram de 4.785 em 2019 para 113.080 em 2024;
Valorização profissional: O setor encerrou 2025 com 1,32 milhão de vínculos formais de trabalho (2,20% do total do país). A remuneração média atingiu R$ 8.253,55 — patamar 64,28% acima da média do setor de serviços tradicional.
"Apesar do crescimento, a qualidade e a permanência ainda são desafios. A expansão da formação precisa acompanhar a demanda por competências críticas da economia digital", ressalta Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.
Adoção de tecnologia e barreira comercial
A base corporativa do setor de tecnologia expandiu 21% entre 2023 e 2025, atingindo 627.124 empresas na ISSTIC. O investimento na digitalização de processos e na modernização do portfólio de produtos e serviços reflete-se na rápida adoção de novas ferramentas:
Inteligência Artificial: A utilização de IA saltou de 12,94% para 17,46% na média geral das empresas, enquanto no segmento de Informação e Comunicação a taxa já alcança 48,88%;
Cloud Computing: A computação em nuvem é utilizada por 55,64% do mercado corporativo e por 74,71% das empresas de TIC.
Mesmo com a corrida pela transformação digital, as empresas enfrentam duras barreiras operacionais e comerciais para inovar: o custo elevado das tecnologias é citado por 78,6% dos negócios como o principal entrave, seguido diretamente pela escassez de profissionais qualificados (54,2%).
Seca de Venture Capital e gargalos em P&D
A capacidade do ecossistema brasileiro de produzir novos unicórnios e tecnologias proprietárias com relevância global enfrenta retração nos aportes financeiros e baixo investimento estrutural em Ciência e Tecnologia (C&T):
Investimento em P&D: O Brasil destina entre 1,3% e 1,7% do PIB para C&T, ficando significativamente atrás de polos como Israel (6,35%) e Coreia do Sul (5,32%). Na ISSTIC, os gastos em P&D passaram de R$ 1,9 bilhão em 2008 para R$ 3,6 bilhões em 2017;
Propriedade intelectual: O país conta com 583 Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), sendo 57,1% focadas em TIC. Embora os registros de software no INPI tenham crescido para 7.232 em 2025, os depósitos de patentes no setor registraram queda de 20,4%;
Retração de capital de risco: O ecossistema soma 3.923 startups de base tecnológica de um total de 22.869 startups mapeadas. A captação de venture capital sofreu forte queda, caindo de US$ 11,2 bilhões em 2021 para US$ 4,5 bilhões em 2025. O cen ário fez com que o México superasse o Brasil em volume de investimentos recebidos pela primeira vez em 15 anos;
Maturidade das startups: 67% das startups ainda estão nas fases iniciais de validação ou tração, apenas 3,3% atingiram escala comercial e 50,1% não declaram faturamento. O modelo B2B domina o mercado (70%), com forte prevalência de ofertas SaaS (64,4%). A concentração geográfica permanece no Sudeste (40,2%), liderada por São Paulo (24,8%) e Santa Catarina (13,3%).
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