EUA e China selam acordo para venda do TikTok a investidores americanos
Negociação mediada em Madrid prevê controle majoritário nos EUA e encerra anos de impasse sobre segurança e influência chinesa no aplicativo.
28.10.2025

Os Estados Unidos e a China chegaram neste domingo (26) a um acordo final sobre a venda da operação norte-americana do TikTok, após meses de negociações intensas e sucessivos adiamentos. O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que confirmou o entendimento durante uma conferência em Madrid.
Segundo Bessent, os detalhes do pacto serão formalizados nesta quinta-feira, durante uma reunião entre o presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, marcada para ocorrer na Coreia. O acordo faz parte de um quadro mais amplo de negociações comerciais entre as duas potências, que também abordará temas como balanço comercial, exportações agrícolas e a crise do fentanil, responsável por novas tarifas americanas de 20% sobre importações chinesas.
Embora Bessent não tenha divulgado valores exatos, fontes ligadas à negociação estimam que o negócio esteja avaliado em 14 bilhões de dólares. O novo modelo de controle prevê que investidores americanos e internacionais detenham cerca de 65% da empresa, enquanto a ByteDance e acionistas chineses manterão menos de 20%.
Entre os nomes mencionados como futuros investidores estão o magnata da mídia Rupert Murdoch, o fundador da Oracle Larry Ellison e, segundo especulações, Barron Trump, filho do presidente norte-americano, que poderia ocupar um assento no conselho de administração. O acordo também prevê que seis dos sete assentos do conselho sejam ocupados por representantes dos novos investidores, garantindo controle sobre o algoritmo e as decisões estratégicas do aplicativo.
O impasse sobre o TikTok se arrasta desde 2020, quando o governo Trump iniciou esforços para restringir o aplicativo, citando preocupações com segurança nacional e influência chinesa sobre dados de usuários. Em 2024, o Congresso aprovou uma lei que previa o bloqueio da plataforma a partir de janeiro de 2025, medida que acabou suspensa enquanto as negociações avançavam.
“Nosso papel foi garantir o aval do governo chinês para a transação, e esse objetivo foi alcançado”, afirmou Bessent.
Durante a viagem à Ásia, Trump também participou de uma cúpula da ASEAN na Malásia, onde deve discutir compras de soja e produtos agrícolas com Xi Jinping, além de reforçar o novo capítulo das relações comerciais entre Washington e Pequim.
Com o acordo, o TikTok dá um passo decisivo para manter suas operações nos Estados Unidos, agora sob controle majoritariamente americano, encerrando uma das disputas tecnológicas e políticas mais emblemáticas da última década.
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