Executivos veem a IA como aliada da sustentabilidade, mas maturidade ainda é baixa no Brasil

Relatório da Bain mostra otimismo com o impacto positivo da tecnologia, enquanto apenas 10% das empresas brasileiras se consideram maduras no uso de IA para sustentabilidade

Adnews

15.12.2025

Executivos veem a IA como aliada da sustentabilidade, mas maturidade ainda é baixa no Brasil

A inteligência artificial já é vista como uma aliada estratégica da sustentabilidade por grande parte da liderança empresarial no Brasil, mas a prática ainda não acompanha o discurso. Segundo a terceira edição do relatório global The Visionary CEO’s Guide to Sustainability, da Bain & Company, 74% dos executivos brasileiros acreditam que a IA tem impacto positivo na agenda socioambiental. Em contrapartida, apenas 10% das empresas no país se consideram maduras no uso da tecnologia, índice bem abaixo dos Estados Unidos (21%) e da Índia (22%).

O estudo ouviu mais de 35 mil CEOs de 150 grandes empresas ao redor do mundo e aponta uma mudança relevante no debate global. Após perder força em 2023, a sustentabilidade deixou de ser tratada apenas como obrigação regulatória ou questão moral e passou a ser integrada de forma mais direta ao valor estratégico do negócio. Os CEOs falam menos sobre o tema, mas seguem executando iniciativas.

Hoje, segundo o relatório, já existe um conjunto de alavancas de descarbonização que são lucrativas e prontas para escalar, capazes de acelerar a jornada rumo ao net zero, antecipar disrupções e fortalecer a resiliência das empresas.

No recorte brasileiro, 40% dos executivos consideram o papel da IA na sustentabilidade “muito significativo”, enquanto 54% enxergam uma contribuição moderada. O entusiasmo, porém, ainda é menor do que em mercados mais avançados, como os Estados Unidos, onde 69% classificam a importância da tecnologia como muito relevante.

Para Daniela Carbinato, sócia da Bain, a diferença revela tanto um atraso quanto uma oportunidade. “Essa diferença reforça a urgência das empresas brasileiras amadurecerem iniciativas e a oportunidade de avançarem de forma responsável, unindo competitividade e impacto socioambiental. As multinacionais estão criando pilotos interessantes, mas o desafio de escala ainda é grande. É aí que o capital público, filantrópico e bancário pode ajudar a equilibrar essa equação”, afirma.

O nível de maturidade segue como o principal gargalo. Além dos 10% que se consideram maduros, 42% das empresas brasileiras ainda estão em fase de testes piloto, enquanto 36% avançam com iniciativas em escala. Quando avaliam a efetividade dessas ações, o tom é de cautela: apenas 12% acreditam que suas iniciativas são muito eficazes, e 62% as classificam como moderadamente eficazes.

A percepção de risco também pesa. No Brasil, 32% dos executivos avaliam que o uso de IA traz alto risco para a sustentabilidade, acima da média global de 21%. Outros 50% consideram os riscos moderados, sinalizando que a adoção ainda vem acompanhada de receios relevantes.

A pesquisa classifica as empresas em três perfis — líderes, seguidores e retardatários. No Brasil, apenas 8% são consideradas líderes, enquanto 62% aparecem como seguidoras e 30% como retardatárias. O contraste é evidente com a Índia, onde 46% das empresas já ocupam a posição de liderança.

Entre os setores, manufatura e tecnologia, mídia e telecomunicações concentram a maior proporção de líderes, com 25% e 28%, respectivamente. Já consumo, produtos e varejo aparecem no extremo oposto, com 54% de retardatários.

O levantamento também analisou os critérios que orientam decisões de investimento. No Brasil, eficiência operacional lidera as prioridades, seguida pelo impacto em sustentabilidade e pelo retorno financeiro. Nos Estados Unidos e na Índia, a sustentabilidade aparece no topo da lista.

Mesmo longe da linha de frente global em maturidade tecnológica, o avanço da IA nas empresas brasileiras indica um movimento claro: a tecnologia tende a ganhar espaço como ferramenta estratégica para combinar competitividade, eficiência e impacto socioambiental nos próximos anos.

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