Fernanda Lima, Rafa Kalimann e dra. Mariana Ferreira debatem o apagamento da dor feminina no podcast "Zen Vergonha"
Com apoio de O Boticário e da Timelens, episódio discute dados de pesquisa que aponta que 84% das mulheres adultas convivem com dores em silêncio e aborda tabus da maternidade e saúde mental
03.06.2026

Uma pesquisa recente conduzida pelo Centro de Pesquisa da Mulher do Grupo Boticário acendeu um alerta para a saúde pública no Brasil: 84% das mulheres adultas aprenderam a conviver com algum tipo de dor em silêncio. Para destrinchar as raízes históricas e sociais desse cenário e combater os estigmas que cercam a saúde feminina, a apresentadora Fernanda Lima reuniu a ginecologista Mariana Ferreira e a apresentadora Rafa Kalimann em um episódio recente do podcast Zen Vergonha. O programa conta com o apoio institucional de O Boticário e da Timelens, empresa pertencente à FutureBrand São Paulo.
A Desvalidação Médica e o Impacto do Racismo Estrutural O debate tomou como ponto de partida outro indicador do estudo: 70% das entrevistadas relataram que já se sentiram desacreditadas por profissionais de saúde ao compartilharem seus desconfortos físicos, o que as levou a duvidar de suas próprias queixas. A dra. Mariana Ferreira explicou que esse fenômeno decorre de uma estrutura médica historicamente fundamentada em perspectivas masculinas, que negligenciou a anatomia e normalizou o sofrimento das mulheres.
A situação ganha contornos ainda mais graves quando atravessada pelo racismo estrutural. A ginecologista alertou que os sintomas relatados por mulheres negras são consideravelmente menos ouvidos e validados nos consultórios, além de elas passarem por menos exames clínicos. Esse cenário de desamparo médico resulta em diagnósticos tardios e desfechos desfavoráveis:
Mortalidade Materna: Mulheres negras chegam a ter quatro vezes mais chances de mortalidade no período que compreende do pré-natal ao puerpério em comparação às mulheres brancas, segundo os dados levantados pela pesquisa.
Impacto na Comunidade LGBTQIAPN+: A falta de ambientes seguros também afasta essa população dos cuidados médicos. O estudo revela que cerca de 100% das jovens entre 18 e 24 anos da comunidade sentem vergonha do próprio corpo, enfrentando ainda barreiras como a presunção automática de heterossexualidade nos atendimentos.
"Crescemos aprendendo que sentir dor faz parte do pacote feminino. É como se o corpo da mulher estivesse sempre sob suspeita, se sentir fosse um exagero, um drama. E o que acontece? Começamos a duvidar da nossa própria dor e, na dúvida, nos calamos", desabafou Fernanda Lima.
Maternidade Sem Romantismo e Saúde Mental
Afastando-se dos discursos idealizados comumente associados às celebridades, Rafa Kalimann compartilhou abertamente sua própria jornada de saúde mental. A apresentadora revelou conviver com o diagnóstico de síndrome do pânico há oito anos e com o de depressão há quatro anos.
Mãe de Zuza, uma bebê de três meses, Rafa desconstruiu a romantização da maternidade, definindo o período como uma catarse emocional acompanhada pela grande responsabilidade de manter um ser humano vivo. Ela enfatizou que a intensificação do acompanhamento psicológico e psiquiátrico, sobretudo durante a gestação, foi indispensável para mitigar as cobranças sociais e a culpa materna.
Tabus Geracionais: Da Menstruação à Menopausa
O episódio mapeou como o silêncio e a desinformação acompanham as mulheres em todas as fases da vida biológica. O susto e a falta de diálogo que marcam a menarca (primeira menstruação) repetem-se décadas mais tarde com a chegada do climatério e da menopausa.
De acordo com o Centro de Pesquisa da Mulher do Grupo Boticário, 60% das mulheres admitem sentir vergonha dos sinais decorrentes da idade, enquanto 41% tentam ocultar ativamente sintomas inteiramente naturais e fisiológicos desse ciclo, como os fogachos (ondas de calor). O programa reforça que o acesso à informação e ao letramento corporal é o principal caminho para que as mulheres conquistem autonomia e parem de tratar seus corpos como um segredo.
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