Fundação Dorina destaca Linha Braille no Dia Mundial do Braille

Tecnologia assistiva amplia acesso à leitura, à escrita e à autonomia de pessoas cegas, especialmente em processos de reabilitação

Adnews

05.01.2026

Fundação Dorina destaca Linha Braille no Dia Mundial do Braille

Celebrado em 4 de janeiro, o Dia Mundial do Braille marca o nascimento de Louis Braille, criador do sistema de leitura e escrita tátil que transformou o acesso à educação, à informação e à autonomia de pessoas cegas em todo o mundo. A data reforça o papel do braille como tecnologia assistiva essencial, amplamente utilizada pela Fundação Dorina Nowill para Cegos, referência nacional na promoção da inclusão de pessoas com deficiência visual.

Criado no século XIX, o braille é um sistema baseado em combinações de pontos em relevo que permite a leitura e a escrita por meio do toque. Para pessoas cegas, especialmente aquelas que nascem sem visão, trata-se da principal forma de alfabetização plena, possibilitando a compreensão da estrutura da língua, da ortografia e da escrita de maneira equivalente à leitura visual.

“Quando lemos em braille, não estamos apenas recebendo informação; estamos entendendo como as palavras são escritas, como as frases se organizam e como podemos nos expressar com autonomia. Isso faz toda a diferença na educação, no trabalho e na vida”, afirma Regina Caldeira, pessoa cega e coordenadora de Revisão Braille da Fundação Dorina.

Nesse contexto, a Linha Braille — também chamada de display braille — amplia o acesso ao conteúdo digital. O dispositivo eletrônico converte textos de computadores, tablets e celulares em pontos em relevo, funcionando como um “monitor braille” que exibe uma linha de texto por vez, percorrida com os dedos.

Formada por células braille, a tecnologia possibilita a leitura precisa de letras, números, símbolos e sinais técnicos. O conteúdo se atualiza dinamicamente conforme o usuário navega pelas telas, permitindo acompanhamento em tempo real do que está sendo exibido no dispositivo.

Integrada a leitores de tela e outros recursos de acessibilidade, a Linha Braille garante acesso direto à escrita sem mediação de áudio. Por isso, é considerada fundamental para estudos, atividades profissionais e para a autonomia digital de pessoas com deficiência visual.

Embora complementares, a Linha Braille e os leitores de tela cumprem funções diferentes. Enquanto o áudio facilita a navegação rápida, a leitura tátil oferece maior precisão, especialmente em conteúdos técnicos e acadêmicos, além de reduzir a fadiga auditiva e garantir privacidade em ambientes compartilhados.

Apesar de ainda ser uma tecnologia de alto custo e, portanto, de acesso restrito para parte da população, a Linha Braille desempenha papel central nos processos de reabilitação. Na Fundação Dorina, o equipamento é utilizado na formação de pessoas com deficiência visual, preparando-as para a educação formal e para o mercado de trabalho, o que reforça a importância de investimentos e políticas públicas voltadas à ampliação do acesso às tecnologias assistivas.

“O braille vai muito além da leitura: ele devolve às pessoas com deficiência visual o controle sobre a própria aprendizagem e as próprias escolhas. É uma ferramenta de autonomia, protagonismo e cidadania”, destaca Alexandre Munck, superintendente executivo da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

No Dia Mundial do Braille, a instituição reforça a necessidade de reconhecer o braille como um direito fundamental e de promover iniciativas que ampliem o acesso à leitura, à educação e à informação para todas as pessoas com deficiência visual.

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