Google aposta em “agentic commerce” na NRF 2026 e sinaliza nova fase do varejo digital
Lançamento do Universal Commerce Protocol coloca agentes de IA no centro da jornada de compra e acende alerta para varejistas
14.01.2026

A Google levou à NRF 2026 uma visão clara do que pode ser o próximo salto do varejo digital: compras conduzidas por agentes de inteligência artificial, do início ao fim, dentro de uma conversa. No centro dessa estratégia está o lançamento do Universal Commerce Protocol, padrão aberto que promete tornar o e-commerce mais fluido, integrado e automatizado.
A proposta marca uma virada no papel da tecnologia no varejo. Em vez de apenas recomendar produtos, a IA passa a executar a compra, eliminando etapas tradicionais como formulários extensos e checkouts fragmentados. Para o Google, trata-se de acelerar a transição para o chamado agentic commerce — modelo em que agentes inteligentes assumem funções ativas na decisão e na conversão.
Para Rodrigo Abreu, conhecido como Kalu, os anúncios feitos na feira representam mais do que uma evolução incremental.
“A introdução de padrões abertos para comércio impulsionado por IA vai além de uma simples evolução tecnológica. Estamos entrando em uma nova era, onde agentes de IA não apenas recomendam produtos, mas podem concluir uma compra inteira dentro de uma conversa inteligente com o consumidor”, afirma. Segundo ele, o impacto vai direto ao coração do e-commerce: “Isso elimina barreiras no e-commerce, como formulários e checkouts, e coloca grandes plataformas tecnológicas no centro da experiência, com grande influência sobre quem vê o produto e como ele é apresentado”.
A leitura é compartilhada por Konrad Doern, que destaca o contraste entre avanço tecnológico e comportamento do consumidor.
“Ficou claro para os varejistas na NRF que a IA já faz parte da jornada de pesquisa de compra da maioria dos consumidores”, diz. Ao mesmo tempo, ele pondera: “Os dados mostram que ainda menos de 1% dos usuários confiam hoje em agentes para realizar a compra por eles, indicando que a adoção do agentic commerce ainda está em estágio inicial”.
Nesse cenário, Doern vê o protocolo do Google como um acelerador inevitável.
“O Universal Commerce Protocol surge justamente como um catalisador dessa transição, e o principal desafio para os varejistas será estar preparado, em termos de dados, tecnologia e experiência, para quando essa confiança começar a escalar”.
Já Rodrigo Murta aponta para uma mudança de patamar no uso da IA no varejo.
“Estamos falando de uma tecnologia que deixa de operar nos bastidores e passa a conduzir a jornada de compra. Isso encurta caminhos, reduz fricções e muda a expectativa do consumidor”, analisa. Para ele, o desafio não é apenas técnico: “Organizar dados e processos será decisivo para que essa automação gere eficiência real e impacto no negócio”.
Na NRF 2026, a mensagem ficou clara: o agentic commerce ainda engatinha em adoção, mas já deixou de ser conceito. Com o Google puxando padrões e plataformas, o varejo digital entra em uma nova fase — mais conversacional, automatizada e concentrada em quem controla a tecnologia da jornada.
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