Governo de SP adota novo modelo de gestão hídrica com faixas de segurança e monitoramento em tempo real
Metodologia inédita define sete níveis de atuação para preservar reservatórios e mananciais da Grande São Paulo, com ações preventivas e transparência no acompanhamento dos recursos.
27.10.2025

A partir desta semana, a Grande São Paulo passa a contar com um modelo inédito de gestão integrada dos recursos hídricos, voltado à proteção dos reservatórios e mananciais do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) e à garantia de abastecimento da população. O novo sistema, desenvolvido pelo Governo do Estado, estabelece sete faixas de atuação baseadas nos níveis de reservação durante períodos de chuva e estiagem.
A metodologia permite planejar ações preventivas e de contingência com base em projeções atualizadas, que consideram afluências, consumo e volume de chuvas. Essas variáveis serão monitoradas continuamente pela SP Águas, garantindo ajustes imediatos nas medidas de controle sempre que houver mudanças significativas no cenário hídrico.
Segundo Thiago Mesquita Nunes, diretor-presidente da Arsesp, “o trabalho integra a SP Águas, sob coordenação da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, e a Defesa Civil, para garantir segurança hídrica no curto, médio e longo prazo, considerando todas as variáveis necessárias”.
A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado (Arsesp) lança nesta segunda-feira (27) uma consulta pública sobre as regras de atuação do novo modelo, que está alinhado ao Plano SP Sempre Alerta — adotado desde 2023 para reduzir impactos de eventos climáticos — e ao Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática.
Sete faixas, um sistema dinâmico
As sete faixas de atuação representam níveis graduais de criticidade e definem medidas específicas para cada cenário. Restrições só são aplicadas após sete dias consecutivos em uma mesma faixa e relaxadas após 14 dias de melhora.
Nas faixas 1 a 3, o foco é prevenção e uso racional da água. A faixa 1 introduz o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA); a faixa 2, a gestão noturna de 8 horas; e a faixa 3 — onde São Paulo se encontra atualmente — amplia para 10 horas de redução noturna, acompanhada de campanhas educativas.
Já nas faixas 4 a 6, o cenário é de contingência controlada, com reduções de pressão de 12 a 16 horas diárias. Na faixa 7, considerada crítica, o protocolo prevê rodízio de abastecimento entre regiões e o envio de caminhões-pipa para serviços essenciais. “O rodízio é uma medida de caráter excepcional e de impacto muito alto. Ele só será considerado quando todas as medidas anteriores se revelarem insuficientes”, enfatizou Mesquita Nunes.
Segurança hídrica e resiliência
Para a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, a nova metodologia é parte de um esforço maior para fortalecer a resiliência hídrica do estado. “Temos atuado em várias frentes, com base no nosso Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática. Essa metodologia é parte de um processo contínuo, que prevê também obras estruturantes, combate a perdas e integração regional por meio do UniversalizaSP”, afirmou.
Desde agosto, a redução da pressão noturna já resultou em economia de 25 bilhões de litros de água, o equivalente ao consumo somado de Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá por dois meses. A Sabesp também está oferecendo caixas d’água gratuitas para famílias de baixa renda beneficiadas pela Tarifa Social Paulista.
Situação atual e investimentos
Em 26 de outubro, a SP Águas declarou escassez hídrica nas bacias do Alto Tietê e do Rio Piracicaba, incluindo o Sistema Cantareira, que opera atualmente na Faixa 4 (Restrição). A Sabesp reduziu a captação de 27 m³/s para 23 m³/s, medida destinada a preservar os níveis dos reservatórios.
Até 2027, a Sabesp deve ampliar a capacidade do SIM em 5,7 mil litros por segundo, com projetos como a transferência do rio Itapanhaú, a interligação Billings–Taiaçupeba e novas alternativas de recarga de mananciais, incluindo o rio Guaió.
Desde 2022, o Governo de SP já investiu R$ 2,6 bilhões em obras de resiliência, incluindo R$ 150 milhões na perfuração de 140 poços em 126 municípios. As prefeituras participantes do UniversalizaSP podem acessar financiamentos com juros zero pela Desenvolve SP, com até R$ 130 milhões disponíveis para projetos de drenagem, abastecimento e saneamento.
Transparência e monitoramento
Como parte do novo modelo, a SP Águas lançou um mapa interativo que permite acompanhar em tempo real os indicadores de escassez hídrica em todos os municípios paulistas, incluindo dados de chuvas, reservação e intensidade da seca.
O site da agência também oferece uma página especial com painéis de monitoramento hidrológico, dados atualizados da Sala de Situação e o dashboard diário da curva de referência do SIM — ferramenta central da nova metodologia.
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