IA ainda não é decisiva na hora da compra, aponta pesquisa da BARE
Mesmo popular no dia a dia, tecnologia enfrenta barreiras de confiança, segurança e clareza no e-commerce brasileiro
19.01.2026

A Inteligência Artificial já faz parte da rotina do brasileiro, mas ainda não ocupa papel central no processo de decisão de compra. É o que revela uma pesquisa exclusiva da BARE International, que analisou como os consumidores utilizam a tecnologia ao pesquisar, comparar e definir aquisições. O estudo mostra que, apesar da familiaridade com a IA, razão, segurança e clareza continuam pesando mais do que inovação no momento da compra.
Segundo o levantamento, 73,9% dos entrevistados afirmam não utilizar ferramentas de IA para pesquisar, comparar ou decidir o que comprar. O dado indica que, embora presente no cotidiano, a tecnologia ainda não se consolidou como parte estruturante da jornada de e-commerce. O consumidor reconhece o potencial da IA, mas não a enxerga como ponto de partida para suas decisões.
Entre os 26% que já recorrem à IA no processo de compra, os benefícios mais citados são a busca por promoções (28%), a comparação de preços (26%), o acesso a informações técnicas (21%) e a procura por recomendações (16%). Ainda assim, a tecnologia atua de forma complementar: 56% dos consumidores combinam o uso de IA com buscas tradicionais, mantendo Google e Bing como principais fontes de informação.
O estudo aponta que, ao utilizar IA, o consumidor espera ferramentas que facilitem a comparação de preços de maneira clara e objetiva (40%), ofereçam recomendações mais detalhadas (21%) e solucionem dúvidas automaticamente, sem burocracia ou perda de tempo (20%).
Para Pedro Venturini, Country Manager da BARE International Brasil, o comportamento reflete cautela. “A IA é vista como aliada da racionalidade de compra, não como substituta da interação humana. O desejo por clareza, comparações objetivas e praticidade mostra uma demanda por tecnologia que simplifique escolhas”, afirma.
A confiança segue como principal obstáculo. Os maiores receios relatados são medo de golpes e links falsos (23%), dúvidas sobre a precisão das informações (22%) e preocupações com privacidade (19%). A rejeição, segundo o estudo, não está ligada à falta de acesso, mas à insegurança no uso. Mesmo com 17% afirmando não ter restrições, a ausência de transparência e confiabilidade impede que a IA assuma papel decisivo na experiência de compra.
A pesquisa revela ainda um alto nível de familiaridade com a tecnologia: 99% dos entrevistados sabem o que é IA e mais de 90% já utilizaram mais de uma ferramenta, sendo a combinação ChatGPT e Gemini a mais frequente. A maioria utiliza versões gratuitas (72%), o que indica um público em fase de experimentação e sensível à percepção de valor das soluções pagas.
O uso da IA também se estende além do consumo: 72% afirmam utilizá-la tanto na vida pessoal quanto no trabalho. As principais finalidades são pesquisa e respostas rápidas (23%), produção ou revisão de textos (16%), criação de imagens (14%), aprendizado (14%) e tradução (11%), reforçando o papel multifuncional da tecnologia.
“A apuração revela um consumidor em transição: curioso e aberto às possibilidades da Inteligência Artificial, mas ainda cauteloso quando o assunto é decisão de compra. A tecnologia já organiza tarefas e acelera buscas, mas ainda precisa provar que entrega segurança, clareza e precisão no momento crítico da escolha”, complementa Venturini.
O estudo conclui que o avanço da IA no varejo dependerá menos de novas funcionalidades e mais da capacidade de oferecer experiências confiáveis, comparações objetivas e respostas transparentes. Até que essas barreiras sejam superadas, a IA segue como suporte relevante, mas sem protagonismo total na jornada de compra.
Metodologia Pesquisa quantitativa online, realizada com 919 pessoas entre 10 e 20 de outubro, com perguntas abertas e de múltipla escolha.
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