IA concentra investimentos em marketing, mas maior retorno vem do backoffice
Mais da metade do investimento em inteligência artificial vai para marketing e vendas, mas é no backoffice que as empresas têm mais retorno
28.11.2025

Por Tiago Amor
Enquanto o mercado aposta em IA para gerar receita imediata, os ganhos mais expressivos em eficiência e redução de custos estão na automação de processos internos.
Por toda parte, a inteligência artificial virou prioridade. Empresas correm para adotar soluções generativas e criar agentes virtuais. Mas, apesar do hype, o foco se concentra em marketing e vendas. Segundo o estudo The GenAI Divide: State of AI in Business 2025, realizado pelo MIT, mais de 50% dos investimentos em IA estão concentrados nessas áreas, sendo que os retornos mais expressivos acontecem, na verdade, no backoffice.
Mesmo com a alta expectativa dos executivos em áreas comerciais e de marketing, o resultado ainda é aquém do esperado. O mesmo levantamento revela que 95% das empresas falham em acelerar receita com IA, mesmo com investimentos consideráveis.
Enquanto isso, setores críticos como financeiro, jurídico, RH e operações continuam trabalhando de forma manual, fragmentada e dependente de tarefas repetitivas — exatamente onde a automação pode gerar altos ganhos em produtividade, controle e governança.
Onde o ROI da IA é mais expressivo
É nos bastidores que a IA gera mais retorno.
Claro, os ganhos do investimento em inteligência artificial também acontecem nas áreas de marketing e vendas, mas as iniciativas no backoffice proporcionam retorno financeiro mais rápido e cortes de despesas mais claros.
Segundo o estudo do MIT, organizações que dividem bem o investimento entre as áreas registram resultados expressivos em ambas as frentes: no comercial, a qualificação de leads ficou 40% mais rápida e a retenção de clientes melhorou 10% com investimentos em IA; já no backoffice, houve eliminações de terceirizações (BPO) que geram economia anual de 2 a 10 milhões de dólares na área de atendimento ao cliente e processamento de documentos, além de redução em 30% nos gastos com agências externas e uma economia de 1 milhão de dólares por ano em controles de risco no setor financeiro.
Tudo isso porque quando aplicadas no backoffice, as automações permitem:
● Acelerar fluxos de trabalho, como aprovações financeiras ou contratações, que muitas vezes levam dias e podem ser executadas em minutos ou até segundos com automações bem estruturadas. ● Reduzir erros e custos, eliminando lançamentos manuais, retrabalho por dados inconsistentes e falhas causadas pela falta de integração entre áreas. ● Minimizar riscos de compliance, garantindo, por exemplo, que apenas fornecedores homologados avancem nos fluxos, que prazos legais sejam cumpridos e que todas as etapas sejam rastreáveis. ● E liberar equipes para atividades estratégicas, tirando profissionais de tarefas operacionais, como conferência de documentos ou checagem de dados, e direcionar o time para inovação e tomada de decisão.
Vender sempre, mas com qualidade
Ou seja, é preciso vender sempre, mas com qualidade interna: é essencial alocar recursos para impulsionar vendas, mas sem deixar de fortalecer o backoffice que apoia toda a linha de frente de uma organização.
Portanto, para os líderes que realmente buscam transformação digital com Inteligência Artificial, é hora de repensar as prioridades. Investir apenas onde o impacto é mais visível dificilmente sustentará o crescimento no longo prazo.
*Tiago Amor é CEO da Lecom
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