IA deixa de promessa e vira motor de eficiência em bares e restaurantes, aponta GALUNION
Pesquisa com mais de 14 mil pontos de venda mostra avanço acelerado da inteligência artificial no foodservice brasileiro, com alta aceitação do consumidor e impacto direto em operação, gestão e experiência
23.12.2025

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência e passou a entregar resultados concretos no foodservice brasileiro. É o que revela a pesquisa “Tendências do Ecossistema de Foodservice 2025”, conduzida pela GALUNION, que analisou dados de 416 marcas responsáveis por 14.068 pontos de venda e mais de 1,2 milhão de clientes atendidos no período.
Entre 2023 e 2025, a adoção de IA acelerou de forma consistente no setor. Nas redes de alimentação, o uso da tecnologia saltou de 12% para 43%. Entre estabelecimentos independentes, avançou de 7% para 18%. Já entre fornecedores, o índice chegou a 81%, sinalizando uma digitalização cada vez mais ampla da cadeia em busca de competitividade, produtividade e inteligência aplicada ao negócio.
Do lado do consumidor, a aceitação também é elevada. A pesquisa “Alimentação Hoje: a visão do consumidor”, realizada em março com 1.008 entrevistados das classes ABC, mostra que 84% se sentem confortáveis com o uso de IA em programas de fidelidade, 77% aprovam a tecnologia para agilizar pedidos, 73% aceitam personalização e comunicação digital baseadas em dados e 67% veem valor no uso de IA para informações nutricionais e de alergênicos.
Apesar do avanço tecnológico, o fator humano segue central. Metade dos entrevistados afirma que o principal motivo para comer fora é encontrar amigos e familiares, reforçando o modelo “Tech + Touch”, no qual a tecnologia atua nos bastidores enquanto a hospitalidade permanece na linha de frente.
O primeiro contato com a IA ainda ocorre, majoritariamente, nas áreas de marketing e comunicação, com produção de conteúdo, CRM e análise de dados. No entanto, é na operação que os impactos se aprofundam. O levantamento aponta que 74% dos operadores já utilizam CRM e programas de fidelidade, 62% realizam pesquisas estruturadas com clientes e 58% usam ferramentas automáticas de conteúdo. A intenção de adoção também cresce: 70% buscam personalização avançada, 69% querem implementar previsão de demanda e 43% pretendem investir em marketing baseado em localização.
“Uma vez integrada, a IA passa a orientar decisões sobre compras, produção, precificação, roteirização de delivery, monitoramento de desperdício e gestão de estoque, fortalecendo a saúde financeira das operações em um contexto de margens pressionadas”, afirma Simone Galante, fundadora e CEO da GALUNION.
O estudo também aponta desafios. Em 2025, a falta de profissionais capacitados se tornou o principal entrave do setor: 67% dos operadores citam a escassez de mão de obra qualificada e a dificuldade de gestão de equipes como barreiras para avançar em tecnologia. Nesse cenário, cresce a percepção de que a própria IA pode ajudar a mitigar o problema, automatizando tarefas repetitivas e liberando tempo das equipes para funções de maior valor. Entre operadores mais maduros, temas como privacidade e segurança de dados ganham relevância, indicando um debate mais sofisticado sobre governança.
Apesar disso, os resultados positivos impulsionam a adoção. Cerca de 88% dos operadores que já utilizam inteligência artificial afirmam perceber ganhos claros, criando um efeito de aceleração: quem testa tende a expandir projetos e incorporar a tecnologia à rotina de gestão.
“Com consumidores mais seletivos, custos crescentes e canais cada vez mais digitalizados, projetamos para 2026 um cenário em que a inteligência artificial será decisiva para proteger margens, melhorar eficiência e qualificar a tomada de decisão. A tecnologia deixou de ser novidade para se tornar condição de competitividade”, conclui Simone Galante.
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