
A evolução acelerada da inteligência artificial colocou os trades de mídia, marketing e publicidade diante de um cenário de oportunidades — e também de um paradoxo. Se ganhar tempo nos fluxos de trabalho virou determinante, a transição de 2025 para 2026 marca o fim do ciclo de hype: usar IA por si só já não basta. O mercado rejeita conteúdos genéricos, imagens com falhas e chatbots sem empatia. Agora, a expectativa é por valor comprovado, com aplicações que realmente melhorem resultados.
Para o presidente executivo do Instituto Verificador de Comunicação (IVC), Pedro Martins Silva, quatro pontos serão decisivos para marcas e plataformas digitais em 2026.
O primeiro é o avanço do live streaming, impulsionado pela Copa do Mundo e pelas eleições. A transmissão dos jogos por múltiplas plataformas amplia o alcance e exige estratégias complementares de frequência, impacto regional e engajamento. “Esse contexto demanda o uso de estratégias complementares de alcance e frequência, com possibilidade de engajamentos distintos por plataforma”, afirma Silva. Ele destaca ainda que horários diurnos e nobres favorecem a publicidade, enquanto a cobertura eleitoral deve ganhar protagonismo — embora com desafios de segmentação.
O segundo eixo é a consolidação do cenário pós-fim dos cookies de terceiros no Google Chrome. O setor já migra para soluções baseadas em first-party data, identity resolution e data clean rooms, que permitem cruzamento de dados anonimizados com segurança. Para Silva, quem dominar essas ferramentas abre vantagem na geração de receita e na precisão de mensuração.
Outro ponto crítico é o fortalecimento dos controles e auditorias, diante da sofisticação das fraudes publicitárias. Bots de IA já imitam com perfeição o comportamento humano — como movimento de mouse, scroll e pausas para “leitura”. “O controle humano é incapaz de detectar essa fraude e os processos de auditoria já envolvem IA defensiva”, explica. As perdas podem chegar a bilhões em 2026. Além disso, riscos como desinformação visual e “influenciadores falsos” exigem ferramentas de verificação para evitar anúncios em ambientes inadequados.
Por fim, 2026 deve intensificar a disputa por profissionais capazes de integrar IA à estratégia de negócios. “Afinal, os modelos de linguagem de IA serão usados intensamente de forma preditiva em planejamentos, desde simulações de produtos ao tom das mensagens nas campanhas”, diz Silva. Orquestrar mensagens em múltiplas mídias será essencial — “com muita tecnologia, mas sem perder a capacidade de entender e emocionar o ser humano”.
INBOX
Aprenda algo novo todos os dias.
Assine gratuitamente as newsletters da Adnews.