IA Invisível e a Era da Confiança: O Novo Paradigma do Varejo em 2026

Debate no Next Varejo discute como a Inteligência Artificial deve atuar na remoção de atritos e o impacto das personas sintéticas na jornada de compra

Adnews

25.02.2026

IA Invisível e a Era da Confiança: O Novo Paradigma do Varejo em 2026
Foto de cottonbro studio

O varejo brasileiro em 2026 atingiu um ponto de maturidade onde a Inteligência Artificial, para ser eficaz, precisa "funcionar sem aparecer". Este foi o consenso entre executivos e investidores reunidos no Next Varejo 2026, evento realizado no Cubo Itaú pelo GVAngels em parceria com a Galaxies — startup especializada no desenvolvimento de personas sintéticas e parte do grupo HSR. O encontro traduziu as tendências da NRF 2026 para o cenário nacional, focando em como a IA pode humanizar o consumo em vez de automatizá-lo friamente.

Para Lorenzo Barbati, Diretor Executivo do GVAngels, o momento exige decisões baseadas em dados reais e menos em apostas experimentais. "Estamos falando de varejo olhando para o que vai acontecer agora, conectando nossas investidas com decisões reais de mercado", destacou na abertura do debate.

A Barreira da Confiança na IA

Apesar da onipresença dos algoritmos, o consumidor brasileiro ainda impõe limites éticos e práticos à tecnologia. Um estudo inédito da Shopper Experience revelou que apenas 10% dos consumidores se sentem confortáveis com a autonomia total da IA em decidir e finalizar compras. A grande maioria (81%) exige mecanismos de controle e transparência total antes de qualquer transação automatizada.

De acordo com Valéria Rodrigues, CEO da Shopper Experience, o maior desafio de 2026 não é a capacidade técnica da ferramenta, mas a construção de confiança. "O que o cliente quer é controle", afirmou. Daniel Victorino, CEO da Galaxies, reforçou que a aplicação de Inteligência Artificial deve ser estratégica e funcional: "O desafio é preparar a empresa para usar tecnologia que remova fricções em vez de criar novas".

Geração Z e a Ressignificação da Loja Física

Contrariando as previsões de um futuro puramente digital, a Geração Z tem impulsionado a relevância dos espaços físicos, buscando o que a IA ainda não replica plenamente: a conexão sensorial. O debate destacou que 53% desses jovens preferem a loja física, encarando o ponto de venda como um local de experiência e construção de identidade.

Essa mudança de comportamento traz novos desafios de gestão, como o fenômeno do showrooming. Para Valéria Rodrigues, a solução passa pela integração entre o online e o offline, inclusive no modelo de remuneração das equipes. "O vendedor precisa de argumentos que justifiquem a ida do cliente à loja, como atendimento consultivo e entrega imediata", explicou.

Loja como Mídia e Comunidade

O evento também consolidou o conceito de "loja como mídia", onde o ponto de venda físico torna-se um hub de dados e atenção qualificada. Em paralelo, o crescimento do live commerce reforça que o diferencial competitivo de 2026 reside na capacidade de gerar conversas por meio de curadoria e influência real.

A conclusão do encontro foi convergente: o varejo vencedor não é o que acumula soluções digitais, mas o que utiliza a IA para simplificar a jornada. Como definiu Victorino: "Estamos na era da conveniência absoluta. Se a tecnologia cria uma nova etapa para o cliente, ela ainda não está pronta".

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