IA reforça que humanidade é artigo de luxo e exclusividade

Campanhas de marcas como Porsche e Apple TV chamaram a atenção por estar na contramão de uma tendência

Adnews

28.01.2026

IA reforça que humanidade é artigo de luxo e exclusividade

*Por Ingrid Astasio, estrategista de conteúdo

Hoje em dia é difícil encontrar uma empresa que não mandou o recado "vamos começar a usar Inteligência Artificial (IA) nos nossos processos". Ouso dizer que esse recado pode chegar antes mesmo de saber a motivação, afinal, o medo de perder a onda é maior. O problema é que essa falta de entendimento prévio pode causar alguns afogamentos nessa onda - com o perdão do trocadilho.

IA é aprendiz de (quase) tudo

Quem nunca viu ou vivenciou um caso de chatbot onde a pessoa só queria receber a opção de atendimento humano? Por mais atualizada que esteja a IA, há nuances que só o nosso cérebro é capaz de transmitir e alcançar. Isso acontece porque a tecnologia opera por padrões, não por percepções.

Nós, pessoas, temos a capacidade de detectar a diferença entre a simulação e a presença. A IA pode simular a linguagem, mas a interpretação das entrelinhas, contextos culturais e exercer a empatia é tarefa do ser humano. São nos detalhes que notamos a presença.

Extinção de profissões

Nos últimos meses tivemos notícias de demissões motivadas pela IA em grandes empresas como Amazon, Mercado Livre, Duolingo, Microsoft e Salesforce. Então, podemos dizer que a IA está acabando com algumas profissões? Bem, o Fórum Econômico Mundial, divulgado no início de 2025, projetou que a IA e a automação devem criar 78 milhões de novos empregos até 2030, mas também eliminar 92 milhões.

Uma coisa é fato, o crescimento e inserção da IA no mercado exige que as pessoas busquem atualizações através de cursos, treinamentos e estudos. Por outro lado, como toda curva que começa a crescer, ainda vamos encontrar uma série de mudanças com altos e baixos.

Para as empresas, já existe a vantagem imediata de redução de custos e, junto a isso, novos nichos de experiência vão surgir, ou melhor, já surgiram.

Prateleira de produtos iguais

Quando falamos de UX (User Experience), é comum que a primeira associação seja a tela de um aplicativo. É claro que um prompt pode criar uma tela completa em alguns segundos, mas resumir o trabalho de UX a isso precariza a experiência e seus resultados.

No final de 2025, a Porsche lançou uma campanha global assinada por artistas da Parallel Studios, sem uso de IA e com referências específicas para o público da marca. Seguindo o mesmo posicionamento, a Apple TV apresentou seu rebranding com uma vinheta analógica feita em um estúdio físico. Isso reafirmou o impacto do que é uma experiência exclusiva, mostrando que a essência não pode ser processada por algoritmos de probabilidade.

Esse posicionamento faz parte do movimento chamado “antiartificialismo”, que tem como propósito valorizar a linguagem humana e o pensamento estratégico. É defender presença em vez da simulação. Se abrir mão da humanidade tem seu preço, podemos dizer que em um cenário de escolhas compostas pelo "mais do mesmo”, a conta vai chegar.

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