IA vira sistema central do marketing em 2026
Tecnologia deixa de atuar como apoio e passa a integrar criação, mídia, dados, mensuração e experiência do consumidor em tempo real
07.01.2026

Após anos sendo tratada como diferencial competitivo, a inteligência artificial entra, em 2026, em sua fase estrutural no marketing. Dados do State of AI in Marketing Report 2025, da CoSchedule, indicam que 85% dos profissionais da área já utilizam IA e que nove em cada dez pretendem ampliar o uso da tecnologia nos próximos três anos, sinalizando que a adoção deixou de ser experimental.
Nesse novo cenário, a IA passa a operar como um “sistema nervoso” do marketing, conectando dados, criação, mídia, mensuração e experiência do consumidor em tempo real. A avaliação é de Bruno Belardo, VP de Vendas da US Media, empresa global especializada em mídia, dados e tecnologia aplicada à performance.
“Em 2026, a inteligência artificial deixa de ser uma ferramenta isolada e passa a sustentar decisões, criar, otimizar e personalizar todos os pontos da jornada. Não é mais teste ou piloto: vira operação padrão do marketing”, afirma o executivo.
Segundo Belardo, quatro frentes concentram os principais avanços da IA no marketing neste ano.
Automação inteligente de criação e mídia
A produção criativa passa a ser orientada por dados em tempo real. A IA gera variações de peças, ajusta formatos e mensagens para públicos específicos e redistribui investimentos de mídia com base em performance contínua. “A lógica de ‘testar para depois escalar’ perde espaço. A criação já nasce adaptável e otimizada desde o início”, explica.
Personalização em escala real
A tecnologia amplia a capacidade das marcas de entregar experiências individualizadas, conectando dados de múltiplas fontes para personalizar recomendações, ofertas e jornadas de consumo. “Estamos falando de experiências que se moldam ao comportamento de cada pessoa, não mais de clusters genéricos”, diz Belardo.
Modelagem preditiva e mensuração avançada
Modelos de atribuição, incrementalidade e previsão de demanda tornam-se mais sofisticados, reduzindo desperdícios e aumentando a previsibilidade dos investimentos. Para o executivo, esse avanço tende a mudar a relação entre marketing e finanças. “O marketing passa a operar com mais previsibilidade, deixando de ser visto como centro de custo para assumir o papel de motor de crescimento.”
Atendimento e CX automatizados
Chatbots e assistentes virtuais evoluem para lidar com problemas mais complexos, integrados a CRMs e capazes de apoiar vendas, retenção e relacionamento. “A fronteira entre marketing, atendimento e experiência do cliente praticamente desaparece”, avalia.
Conteúdo gerado por IA e desafios éticos
Outro eixo central da transformação está na geração automática de conteúdos, como textos, imagens e vídeos. Os modelos avançam em qualidade, contexto e estilo, permitindo a criação de peças personalizadas em segundos e a automação de todo o fluxo criativo.
O avanço, porém, traz desafios éticos. Entre eles estão a necessidade de transparência sobre o uso de IA, o risco de vieses nos modelos, questões relacionadas a direitos autorais e a superprodução de conteúdo irrelevante. “A curadoria passa a ser tão importante quanto a criação”, destaca Belardo.
Para o executivo, a vantagem competitiva não estará apenas no acesso à tecnologia, mas na forma como ela é aplicada. “A IA amplia a capacidade criativa, mas o julgamento humano continua sendo decisivo: escolher o que criar, por que criar e como usar isso de forma responsável”, conclui.
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