Influenciadores em Risco: O que acontecerá com a Creator Economy na era da Inteligência Artificial?

A ascensão do "Piloto Automático de Conteúdo" gera uma crise de confiança sem precedentes, exigindo que influenciadores e marcas adotem assinaturas digitais e provas de humanidade para sobreviver à saturação sintética

juliano Kimura

02.04.2026

Influenciadores em Risco: O que acontecerá com a Creator Economy na era da Inteligência Artificial?

Uma das verticais mais promissoras com os avanços da IA é a economia dos criadores (também conhecidos como influenciadores), porém ao mesmo tempo mais afetadas para um novo cenário digital. Um cenário de muitas oportunidades e igualmente em risco por todos os avanços.

Caminhamos a cada dia para uma massificação na criação de conteúdo com uma qualidade cada vez maior, não será surpresa que a criação de vídeos ultrarealistas e impossíveis de serem distinguidos da realidade abre margem para novos cenários.

A verdade é que a inteligência artificial (IA) está chegando para transformar radicalmente a forma como produzimos conteúdo. Seja ele escrito, em áudio ou vídeo. Isso me faz questionar: qual será o impacto dessa revolução naquilo que chamamos de Creator Economy?

Estamos falando de toda uma indústria construída em torno de influenciadores digitais, pessoas que dedicam seu tempo (muito tempo) a criar conteúdo para a internet. É um mercado que vinha amadurecendo e, inclusive, passou por uma regulamentação no Brasil, exigindo que influenciadores de certas áreas tenham uma formação mínima para abordar determinados temas. Agora, a IA chega como um novo elemento nessa equação, trazendo tanto oportunidades quanto grandes desafios.

O Impacto Imediato: O Risco do "Piloto Automático" de Conteúdo

A curto prazo, vejo um impacto que já está acontecendo e tende a se intensificar: a proliferação de conteúdo superficial em uma escala nunca antes vista. A IA permite a criação de textos, vídeos e imagens que parecem ser de alta qualidade. Eles podem ter uma aparência profissional, uma estrutura bem-feita, mas, no fundo, são vazios.

Imagine um cenário onde uma IA monitora o Google Trends, identifica um assunto em alta e, de forma totalmente automatizada, gera uma série de publicações sobre o tema. O objetivo? Apenas capturar cliques e visualizações, sem qualquer preocupação com a veracidade, a profundidade ou a mensagem transmitida.

Esse é o que eu chamo de "piloto automático de conteúdo". É uma produção desenfreada, não assistida por um olhar humano crítico. O resultado é um oceano de informações que podem não ter:

  1. Embasamento técnico: Conteúdos que apenas repetem o que já existe, sem adicionar uma análise real.

  2. Profundidade: Ficam na superfície do assunto, sem explorar nuances ou complexidades. Ainda há um agravante , pois muitas vezes essa criação é propositalmente superficial com tendências de ser polêmico ou mesmo usar nuances para viralização.

  3. Opinião e Experiência: Falta a bagagem de vida, a vivência profissional e o pensamento crítico que só um ser humano pode oferecer. Sem nenhum contexto ou vivência o conteúdo apenas está replicando, mas não está somando valor.

Essa é a grande diferença. Quando você consome um conteúdo, como este artigo que estou escrevendo agora, você está tendo acesso à visão de alguém com autoridade, história e contexto. Eu estou refletindo sobre passado, presente e futuro, usando minha experiência em grandes empresas de tecnologia para formar uma opinião forte e embasada. Usando da vivência real em grandes empresas como Facebook Brasil ou mesmo em projetos globais como a World de Sam Altman e Alex Blania. Um conteúdo gerado por IA com uma "receita de bolo" para viralizar simplesmente não tem isso. Ele é criado de forma desleal, apenas para ganhar sua atenção.

O problema é que, em meio a esse volume exponencial, se torna quase impossível distinguir o que é autêntico e o que é apenas uma automação bem-feita. E esse é apenas o começo.

O Futuro a Médio e Longo Prazo: A Necessidade de uma "Assinatura Digital"

Se o presente já é desafiador, o que o futuro nos reserva? Acredito que a solução para mantermos a confiança no ambiente digital precisará ser sistêmica. Precisaremos de uma forma de comprovar a autoria e a autenticidade do que é publicado online.

Estou falando de uma espécie de credencial ou assinatura digital que cada criador de conteúdo poderia usar para chancelar suas publicações. Pense em tecnologias como o blockchain, que utilizam protocolos criptografados para certificar a autenticidade de forma descentralizada e segura. Uma solução assim poderia ser a chave para mitigar problemas graves como:

  • Deepfakes e contas falsas.

  • A produção massiva de conteúdo enganoso por IA.

  • A falta de um freio digital para o uso irresponsável dessas ferramentas.

Essa chancela de autenticidade será fundamental não apenas para nós, consumidores de informação, mas para todo o ecossistema digital. Os anunciantes, por exemplo, precisam saber se os cliques em suas campanhas são de pessoas reais ou de robôs navegando em seus sites.

A Responsabilidade é de Todos

Quero deixar minha opinião bem clara: não acredito que a solução seja criar filtros ou censurar a liberdade de expressão. As pessoas precisam ser responsabilizadas pelo que criam e publicam, mas nunca cerceadas do seu direito de fala. Uma iniciativa de credencial digital, na verdade, pode prover uma maior liberdade sistêmica, pois, ao garantir a autenticidade, ela fortalece a confiança na internet como um todo.

Essa transformação impactará toda a indústria da criação de conteúdo: youtubers, tiktokers, redatores, jornalistas... todos nós precisaremos nos adaptar.

Para fechar, deixo uma pergunta para você refletir: você já parou para pensar se as suas interações e os resultados que você vê no meio digital são gerados por pessoas reais ou apenas por automações e inteligências artificiais? A resposta para essa pergunta definirá o futuro da internet.

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