Black Friday 2026: Alexandre Azevedo - inovação, dados e criatividade no novo varejo

Com o calendário promocional cada vez mais pulverizado, novas formas de busca e o avanço do retail media, a Black Friday chega a 2026 diante de um consumidor mais seletivo. Para Alexandre Azevedo, Marketing Director LATAM da aunica, tecnologia, dados e criatividade precisam caminhar juntos para que as marcas encontrem novas oportunidades de negócio

Pedro Aguirra

08.09.2026

Black Friday 2026: Alexandre Azevedo - inovação, dados e criatividade no novo varejo

A Black Friday já não ocupa sozinha o calendário promocional do varejo. Grandes plataformas de comércio eletrônico passaram a criar datas próprias e a distribuir ofertas ao longo do ano. Campanhas como 8.8, 9.9 e 11.11, além de ações recorrentes de grandes players, mudaram a relação do consumidor com as promoções.

A transformação também acontece na forma como as pessoas descobrem produtos. A inteligência artificial começa a interferir nas buscas e recomendações, enquanto o retail media ganha espaço ao aproximar publicidade, dados e vendas.

A experiência da aunica com a Sony Brasil mostra como dados, mídia e criatividade podem trabalhar juntos. Na Black Friday de 2017, a marca registrou crescimento de 130% na receita com apenas 40% do investimento realizado no ano anterior. Em 2018, a receita avançou mais 33%, enquanto os pedidos provenientes de mídia cresceram 400%.

Alexandre Azevedo analisa as mudanças no varejo, o avanço do GEO e do retail media e o espaço da criatividade em um mercado cada vez mais orientado por tecnologia.

A Black Friday já não é uma data isolada no calendário do varejo. Grandes players criaram novas datas promocionais e passaram a trabalhar ofertas ao longo de todo o ano. Ao mesmo tempo, existe a percepção de que a Black Friday já não tem a mesma importância que tinha no início. Qual é hoje o papel da data para as marcas e como elas podem se diferenciar em um calendário promocional cada vez mais pulverizado?

Alexandre Azevedo

A Black Friday continua sendo uma data muito importante, mas de fato deixou de ser um momento isolado de promoção. O consumidor hoje encontra ofertas durante praticamente todo o ano e os grandes players do varejo criaram seus próprios eventos para estimular a demanda. Isso muda o significado da Black Friday e aumenta a necessidade de planejamento por parte das marcas.

Não acredito que a data tenha perdido sua importância, mas ela deixou de ser novidade. No início, existia uma concentração muito grande de expectativa em torno daquele período. Hoje, o consumidor está mais acostumado a promoções e também mais preparado para pesquisar e comparar.

Por isso, a diferenciação não pode estar apenas no desconto. As marcas precisam entender o que oferecer, para quem, em qual momento e com qual mensagem. Os dados são fundamentais para identificar essas oportunidades e entender quais ofertas realmente fazem sentido para cada público.

A Black Friday continua sendo uma grande oportunidade comercial, mas precisa estar inserida em uma estratégia maior. O desafio é fazer com que a data tenha um papel claro dentro do calendário da marca e não seja apenas mais um momento de redução de preço.

GEO e retail media estão transformando a maneira como as marcas são descobertas e como as pessoas chegam aos produtos. Como essas duas frentes podem mudar a estratégia das empresas para a Black Friday de 2026?

Alexandre Azevedo

A forma como as pessoas encontram informações está mudando rapidamente. Durante muito tempo, a estratégia esteve concentrada em aparecer bem posicionado nos mecanismos tradicionais de busca. Agora, começamos a ter respostas produzidas por inteligência artificial, que podem influenciar diretamente a escolha de uma marca ou produto.

O GEO ganha importância nesse contexto porque as empresas precisam pensar em como seus conteúdos serão interpretados e utilizados por esses novos mecanismos. É uma mudança que exige mais qualidade, clareza e consistência na produção de conteúdo.

O retail media também avança porque coloca o varejista em uma posição privilegiada. Ele tem dados sobre comportamento de compra, categorias, produtos e consumidores. Quando esses dados são utilizados de maneira adequada, a publicidade pode ser muito mais precisa e próxima da decisão de compra.

Na Black Friday, isso ganha ainda mais importância. As marcas precisam estar presentes quando o consumidor está pesquisando, comparando e escolhendo, mas também precisam saber medir o resultado dessas ações. GEO, retail media, dados e inteligência artificial passam a fazer parte de uma mesma discussão sobre como ser encontrado e transformar essa descoberta em venda.

Em um mercado cada vez mais dominado por dados, inteligência artificial e performance, como preservar a criatividade como diferencial? E o que cases como os da Sony Brasil, desenvolvidos pela aunica, ensinam sobre a combinação entre criatividade, tecnologia e resultado de negócio?

Alexandre Azevedo

Quanto mais tecnologia temos disponível, mais importante fica a criatividade. A inteligência artificial pode processar grandes volumes de informação, identificar padrões e acelerar processos, mas ainda precisamos de pessoas capazes de interpretar essas informações e transformar oportunidades em ideias.

Os cases da Sony Brasil mostram isso de forma bastante clara. Na Black Friday de 2017, tivemos 130% de crescimento na receita com apenas 40% do investimento realizado no ano anterior. Em 2018, a receita cresceu mais 33% e os pedidos provenientes de mídia aumentaram 400%.

Mas a experiência com a Sony não se resume à performance. Também desenvolvemos projetos em que a criatividade era fundamental para aproximar a marca de determinados universos culturais. Na websérie Batendo Osso, por exemplo, a Sony foi inserida em histórias ligadas à dança, à música e à cultura urbana, com os produtos fazendo parte daquela narrativa de maneira orgânica.

Esses trabalhos mostram que tecnologia e criatividade não são caminhos opostos. Os dados ajudam a identificar oportunidades e a tecnologia permite trabalhar com mais precisão. A criatividade transforma essas informações em uma ideia que tenha força própria.

No fim, a inovação não está apenas na ferramenta utilizada. Está na capacidade de usar novas ferramentas para fazer algo que as pessoas ainda não esperavam.

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