Inteligência artificial transforma a climatização e reduz consumo de energia nas empresas
Sistemas preditivos ajustam temperatura em tempo real, antecipam falhas e tornam edifícios mais eficientes, confortáveis e sustentáveis
06.01.2026

A inteligência artificial começa a redefinir a forma como empresas gerenciam climatização, consumo de energia e conforto térmico. Aplicada a sistemas de aquecimento, ventilação e ar-condicionado (HVAC), a tecnologia permite decisões automáticas baseadas em dados, reduz desperdícios e amplia a eficiência energética dos edifícios corporativos.
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), soluções de automação e controle inteligente podem reduzir entre 8% e 20% o consumo energético desses sistemas. Em edifícios empresariais, estudos apontam economias médias de até 16%, resultado direto do uso de algoritmos que aprendem com o comportamento do ambiente.
Esses sistemas analisam dados como ocupação dos espaços, horário de uso, temperatura externa e padrões históricos de consumo. A partir dessas informações, ajustam automaticamente temperatura, ventilação e umidade, evitando excessos e mantendo o conforto térmico.
Para o engenheiro mecatrônico Patrick Galletti, CEO do Grupo RETEC e pós-graduando em Engenharia de Climatização, a combinação entre IA e automação representa uma virada estrutural no setor. “O controle preditivo analisa dados em tempo real, identifica padrões e antecipa picos de consumo. Isso evita desperdícios e entrega conforto com eficiência”, afirma.
Além da operação diária, a IA tem ampliado o uso da manutenção preditiva. Sensores conectados à Internet das Coisas (IoT) monitoram continuamente o desempenho dos equipamentos e emitem alertas antes que ocorram falhas. Dados da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA) indicam que até 40% dos problemas nesses sistemas poderiam ser evitados com manutenção preventiva.
“Quando o sistema identifica um filtro obstruído ou um nível inadequado de fluido refrigerante, a correção acontece antes que o consumo aumente ou o equipamento pare”, explica Galletti.
O impacto vai além da economia. Um estudo da Harvard T.H. Chan School of Public Health aponta que melhorias na ventilação e na qualidade do ar podem dobrar os índices de desempenho cognitivo em ambientes de trabalho e estudo. Em contrapartida, níveis elevados de CO₂ reduzem em até 50% a capacidade de tomada de decisão.
“Climatização inteligente também é saúde, produtividade e bem-estar”, destaca o especialista.
No Brasil, estimativas históricas da Eletrobrás, citadas em publicações do setor, mostram que a climatização responde por cerca de 47% do consumo de energia elétrica em edifícios comerciais e públicos — proporção que segue elevada. Para Galletti, o dado reforça o potencial da IA como ferramenta de gestão de custos e sustentabilidade. “Em um cenário de ondas de calor cada vez mais severas, climatização deixou de ser conforto e passou a ser eficiência energética e saúde pública”, afirma.
A IEA projeta que a digitalização e os controles inteligentes em edifícios possam reduzir até 350 milhões de toneladas de CO₂ por ano até 2050, volume equivalente às emissões anuais de um país europeu de médio porte. A adoção dessas tecnologias também prolonga a vida útil dos equipamentos, ao evitar sobrecargas e uso desnecessário.
Para empresas que desejam iniciar esse processo, especialistas recomendam passos práticos: integração de sensores de ocupação, uso de termostatos inteligentes e adoção de softwares capazes de cruzar dados de consumo, clima e conforto térmico em tempo real.
“O futuro da climatização é preditivo e conectado”, conclui Galletti. “A IA transforma dados em decisões automáticas, entregando conforto, eficiência e sustentabilidade no mesmo sistema. É uma mudança estrutural na forma como projetamos e ocupamos os ambientes.”
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