Investimento em mídia digital no Brasil atinge R$ 42,7 bilhões e sinaliza amadurecimento do setor

Impulsionado por vídeo e redes sociais, mercado registra alta de 12,7% em 2025; estudo Digital AdSpend 2026 incorpora DOOH e retail media como novos eixos estruturais de crescimento

Adnews

28.05.2026

Investimento em mídia digital no Brasil atinge R$ 42,7 bilhões e sinaliza amadurecimento do setor

O mercado brasileiro de publicidade digital mantém uma trajetória de aceleração em ritmo de dois dígitos, acompanhada por indicadores consistentes de amadurecimento operacional. De acordo com os dados consolidados do estudo Digital AdSpend 2026, realizado pelo IAB Brasil em parceria com o Ibope e divulgado no dia 29 de abril, os investimentos em mídia digital no país somaram R$ 42,7 bilhões ao longo do ano de 2025. O montante representa uma expansão de 12,7% na comparação com o ciclo anterior, consolidando o segundo maior índice de crescimento da série histórica iniciada em 2020.

No acumulado dos últimos cinco anos, o avanço do setor atinge a marca de 80%, posicionando os canais conectados no centro do planejamento de comunicação das marcas. A grande novidade metodológica do levantamento foi a inclusão inédita do segmento de DOOH (Digital Out of Home), que estreou na matriz de dados com uma estimativa de R$ 4,4 bilhões em aportes, além do mapeamento de R$ 4,8 bilhões direcionados ao Retail Media (alta de 37%).

Para a Adsplay, hub de mídia especializado em performance e inteligência de audiência, os números comprovam uma transição na distribuição de orçamentos, que passa a enxergar os canais físicos e de varejo digital de forma unificada.

“Quando um estudo desse porte passa a incorporar DOOH, retail media e uma leitura cada vez mais granular dos investimentos, fica claro que o mercado deixou de discutir apenas mídia digital e passou a discutir ecossistemas de mídia conectados. Hoje, o desafio não está em estar presente em um canal específico, mas em integrar diferentes pontos de contato com inteligência, mensuração e capacidade de otimização contínua”, avalia Bruno Campos de Oliveira, COO da Adsplay e cofundador da Pixel Roads.

Vídeo Lidera Formatos e Marcas Diluem Sazonalidade

O relatório identificou uma mudança estrutural na sazonalidade dos investimentos. Pela primeira vez na série histórica, a oscilação de verba entre o primeiro e o segundo semestre do ano ficou na casa de apenas um dígito. O dado sinaliza que as empresas adotaram estratégias de sustentação contínua de marca ao longo do calendário, reduzindo a dependência exclusiva de datas promocionais tradicionais.

Na divisão por formatos e canais de veiculação, o ecossistema digital brasileiro apresenta a seguinte configuração de share:

Formatos de Conteúdo: O formato de vídeo lidera isolado, concentrando 49% de toda a participação dos investimentos;

Redes Sociais: O canal de social media retém a maior fatia do bolo publicitário, com 55% do orçamento;

Mecanismos de Busca: As ferramentas de search aparecem na segunda colocação, respondendo por 26% da verba;

Publishers e Verticais: Veículos de imprensa, portais de conteúdo e plataformas verticais completam a lista, somando 19% de participação.

“Durante muitos anos, boa parte do mercado operou o digital em ondas, concentrando verba em datas específicas. O que os dados mostram agora é uma construção de presença muito mais contínua, combinando awareness, performance e inteligência de dados durante o ano inteiro. Isso exige uma operação mais sofisticada e capacidade real de leitura em tempo real”, acrescenta Bruno.

Eficiência Operacional e Concentração por Setores

O estudo do IAB Brasil apontou ainda um equilíbrio na governança de compra de mídia no país: o volume de transações divide-se rigorosamente em 50% para compras diretas feitas pelos anunciantes e 50% para negociações intermediadas por agências de publicidade. Esse cenário reflete a maturidade e a automação trazidas pela mídia programática, exigindo camadas profundas de segmentação de dados e análise de contexto de navegação.

No recorte setorial, as indústrias de Comércio, Serviços, Eletros, Financeiro e Educação respondem por praticamente metade do faturamento digital auditado. O segmento de Eletros e Informática destacou-se individualmente ao registrar uma arrancada de 42% de crescimento em seus aportes no período.

“Com mais canais, mais formatos e mais dados disponíveis, eficiência deixou de ser comprar mídia mais barata. Eficiência hoje significa saber onde cada impressão tem mais valor, em qual contexto ela gera mais atenção e como redistribuir investimento continuamente. É exatamente esse nível de inteligência que passa a separar campanhas que apenas geram alcance daquelas que geram resultado real”, finaliza o COO da Adsplay.

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