Live marketing deixa de ser evento e vira ferramenta de pesquisa de campo para as marcas

Com aporte da neurociência e foco em dados, brand experience assume papel de inteligência estratégica e dita o novo ritmo da conexão com comunidades

Adnews

24.03.2026

Live marketing deixa de ser evento e vira ferramenta de pesquisa de campo para as marcas
Crédito da foto- Agência Estalo

O live marketing atravessa uma transformação silenciosa que altera definitivamente seu peso no mix de comunicação das empresas. Antes restrito a ativações pontuais e grandes eventos, o setor agora se reposiciona como uma célula de inteligência. A tese, defendida por especialistas do mercado, é que a experiência de marca se tornou uma das formas mais eficazes de coletar dados primários e orientar decisões de negócio em tempo real.

Em um cenário de pressão implacável por performance, as agências de brand experience estão deixando de entregar apenas "criatividade" para entregar "ferramentas de inteligência". “As experiências assumem o potencial de pesquisa de campo nas estratégias ao permitirem a coleta e a análise de dados a partir das interações com o público”, afirma Maíra Holtz, sócia-diretora da Estalo. “O live marketing deixa de ser um fim em si mesmo e passa a abrir caminhos para decisões mais assertivas”, completa.

Os três pilares da nova era Este movimento é sustentado por três frentes que conectam comportamento, ciência e rotina:

Neurociência Aplicada: O entendimento das reações fisiológicas e estímulos emocionais do público permite que as ativações sejam milimetricamente personalizadas. De acordo com Holtz, a neurociência ajuda a interpretar sensações ao longo da jornada, tornando as entregas mais eficazes.

Microinfluência e Comunidades: O foco mudou das grandes massas para nichos específicos. Marcas buscam agora o "senso de pertencimento", dialogando com grupos que possuem valores idênticos aos seus para fortalecer vínculos de longo prazo.

Onipresença no Cotidiano: A estratégia deixou de depender exclusivamente de calendários de grandes eventos (como festivais ou feiras) para ocupar momentos da rotina do consumidor, tornando a presença da marca fluida e constante.

Da estratégia à execução: Cases de sucesso Na prática, essa mentalidade já orienta projetos de peso no mercado. No último ano, a estreia do Mercado Pago na Feira do Empreendedor Sebrae utilizou dinâmicas gamificadas para traduzir soluções financeiras complexas em experiências simples, transformando informação técnica em engajamento real para pequenos empreendedores.

Outro exemplo de destaque foi a jornada imersiva criada para a Hering no lançamento da coleção Alto Verão 2025. O projeto "Embarque com a Hering" conectou cenografia e conteúdo em diferentes pontos de contato — do shopping JK Iguatemi ao showroom da marca —, provando que o live marketing pode sustentar uma narrativa contínua de branding.

Para o mercado publicitário, o recado é claro: a ativação isolada perdeu espaço para a plataforma de relacionamento. “O live marketing deixa de ser um ponto de contato isolado e passa a funcionar como plataforma de dados, relacionamento e construção de valor de longo prazo”, conclui Maíra Holtz.

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