Luciano Deos aponta estagnação do branding e projeta novo ciclo baseado em dados e IA

Em entrevista ao podcast "Trocando a Lente", CEO do Gad' aponta desestruturação do mercado de consultorias e defende urgência na reinvenção dos modelos de negócio

Adnews

24.03.2026

Luciano Deos aponta estagnação do branding e projeta novo ciclo baseado em dados e IA
Luciano Deos- Imagem de Divulgação.

O mercado de branding e design no Brasil opera sob um modelo "passivo, lento e complexo", que ignora a revolução tecnológica das últimas duas décadas. A análise contundente é de Luciano Deos, fundador e CEO do Gad’, em participação no podcast "Trocando a Lente", comandado por Gian Franco Rocchiccioli (Pande) e com participação de Gabriel Lopes (Empathy).

Com um portfólio que soma mais de mil marcas, como B3, Claro e Gerdau, Deos afirma que o setor vive um paradoxo: embora o tema "marca" nunca tenha sido tão central, as consultorias seguem processos de concorrência e execução idênticos aos do início do século 21. “Não pode uma empresa ficar seis meses numa concorrência, com dez propostas completamente diferentes, para depois fazer um projeto de seis meses. Está errado. Estamos queimando gasolina”, critica o executivo.

O diagnóstico da desestruturação Para o CEO do Gad’, o desalinhamento do mercado é generalizado. Ele aponta que as empresas enfrentam dificuldades para contratar projetos, enquanto as consultorias carecem de consistência na precificação. O resultado são estruturas rígidas que não acompanham a velocidade exigida pelos negócios contemporâneos. “O mercado é completamente diferente, mas a gente continua fazendo praticamente do mesmo jeito de 20, 30 anos atrás. Isso me incomoda profundamente”, desabafa.

Diante deste cenário, Deos revela que o Gad’ desenha um novo ciclo de operação, pautado por:

Uso intensivo de tecnologia: Inteligência artificial integrada a todo o processo estratégico, não apenas à entrega final.

Empoderamento de consultores: Mais autonomia e responsabilidade para os líderes de frente.

Visão em rede: Conexão entre talentos internos e externos para ampliar a capacidade criativa.

Revisão da lógica de negócio: Mudança nos formatos de remuneração e aumento da velocidade de entrega.

IA como aliada estratégica Um dos pontos centrais da análise de Deos é o papel da inteligência artificial. Para o especialista, a tecnologia não representa uma ameaça, mas uma oportunidade espetacular de ganho de escala e qualidade. “Hoje eu consigo produzir com mais qualidade, menos custo e mais velocidade do que produzia antes. Como é que isso não seria espetacular?”, questiona.

Ele argumenta que, com a IA nivelando o acesso à "produção bruta", o diferencial competitivo das consultorias migra para o julgamento crítico, a experiência e a capacidade de oferecer segurança para a tomada de decisão do cliente. “No final do dia, o que o nosso cliente quer é um ambiente de segurança para tomar uma decisão. É isso que nós vendemos”, resume.

Cultura de abundância Ao projetar o futuro, Luciano Deos reforça a necessidade de fortalecer o ecossistema do design brasileiro como um todo, citando sua trajetória na Abedesign. Ele defende que o amadurecimento do mercado depende de uma mudança na percepção de valor e de uma visão menos focada na escassez. “Você só cresce quando o seu mercado cresce. Quando a gente olha com abundância, tudo muda. Quando você dá mais, volta mais”, finaliza.

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