Mapa das Paixões Brasileiras: Futebol divide topo com séries e música em ano de Copa

Estudo da Ipsos revela torcedor mais pragmático e menos ufanista para 2026; apenas 18% acreditam plenamente no título da Seleção Brasileira

Adnews

08.05.2026

Mapa das Paixões Brasileiras: Futebol divide topo com séries e música em ano de Copa

A Ipsos apresentou nesta quinta-feira (7 de maio), durante o evento “Coração em Campo”, o inédito Mapa das Paixões Brasileiras. O estudo aponta para uma pulverização das preferências nacionais: embora o ecossistema do futebol (Soma de Copa, Seleção e o esporte em si) lidere com 21% do share, a modalidade agora divide o protagonismo com o consumo de séries (10,9%) e música (10,7%), que aparecem como as maiores paixões individuais.

O Fim do "Já Ganhamos"

A pesquisa revela uma mudança profunda no comportamento do brasileiro em relação à Copa do Mundo de 2026. Se em edições anteriores o sentimento predominante era de alegria e ufanismo, o cenário atual é de pragmatismo tático.

Desânimo: 46% dos brasileiros se dizem desanimados com o torneio.

Ceticismo: 49% acreditam que a Seleção tem poucas chances de vencer, e apenas 18% confiam plenamente no hexa.

Socialização: A Copa passou a ser vista mais como um evento social (churrascos e encontros) do que como uma certeza de vitória esportiva.

“O ufanismo de pintar a rua acabou. O torcedor está mais crítico. A Seleção interage com o evento mais como uma desculpa para o encontro com amigos, sendo o resultado em campo quase secundário”, analisa Paula Soria, líder de marcas e mercado na Ipsos Brasil.

Reputação Digital e Multitelas

O mau humor reflete-se nas redes sociais. Uma análise de 700 mil publicações mostrou que 38% dos posts sobre a Copa possuem viés negativo. A quebra de confiança atingiu a reputação de ícones: Neymar registrou o menor índice de reputação digital (24 pontos), seguido pela CBF (27) e pela própria Seleção (35).

Quanto ao consumo de mídia, a TV Aberta segue soberana (65%), mas a experiência é híbrida. O torcedor brasileiro utiliza, em média, duas telas simultâneas, com destaque para plataformas digitais:

Cazé TV (54%) e Globoplay (42%) lideram a preferência online.

YouTube e Redes Sociais são citados por 39% como canais de transmissão.

Oportunidade para Marcas

Apesar do desânimo com o desempenho técnico, a Copa continua sendo uma "obrigação cultural". Para as marcas, o desafio é gerar conexão através da empatia. O estudo aponta que 46% dos consumidores já identificam espontaneamente patrocinadores da Seleção (como Nike, Itaú, Vivo e Ambev), enquanto apenas 32% conseguem citar marcas parceiras da FIFA/Copa (como Adidas, Coca-Cola e Visa).

Para a Ipsos, o segredo da relevância em 2026 está em reconhecer que o brasileiro não sabe viver sem entusiasmo, mas agora exige rituais que integrem pertencimento e diversão, independentemente do placar final.

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