Memes moldam a narrativa e o consumo da Copa do Mundo de 2026
Estudo do hub Antro analisa como produções de inteligência artificial, reações de atletas e paródias virais deixaram de ser mero humor para se tornarem parte central da experiência do torneio
21.07.2026

Durante a Copa do Mundo de 2026, a cultura dos memes assumiu um papel protagonista na construção da narrativa pública e na disputa pela atenção dos torcedores. O movimento se consolidou tanto dentro de campo — com comemorações de atletas como Casemiro e Kylian Mbappé fazendo alusão a virais — quanto fora dele, impulsionado por criações feitas com inteligência artificial generativa e conteúdos de alcance global.
A análise é da Antro, hub de entretenimento, mídia e comunidades especializado em cultura digital, que aponta uma mudança estrutural: os memes deixaram de ser apenas reações espontâneas aos jogos para se tornarem elementos ativos que determinam quais fatos permanecem na memória do público.
Do Vídeo de "As Branquelas" às Sátiras de Arbitragem
Entre as produções de maior repercussão no torneio, destaca-se a paródia em inteligência artificial que colocou Erling Haaland e Vinicius Jr. na icônica cena do filme As Branquelas. O conteúdo desdobrou-se ao longo das fases do mata-mata, sendo reeditado com novos protagonistas a cada etapa, como Lionel Messi, Jude Bellingham, Harry Kane, Kylian Mbappé e Lamine Yamal.
O impacto da montagem resultou em uma chancela institucional e pop:
Reação Oficial: O ator Terry Crews, intérprete do personagem original no cinema, comentou a brincadeira em um vídeo publicado nos canais oficiais da FIFA, classificando o meme como a "combinação perfeita entre entretenimento e esporte";
Humor e Bastidores: Outras correntes virais ganharam escala ao longo do torneio, desde a viralização de uma música antiga de Haaland com remix do DJ Kygo até montagens satíricas envolvendo a arbitragem e a Seleção Argentina (apelidada pejorativamente de "VARgentina" por internautas).
Validação em Cadeia e a Nova Linguagem Digital
Para a Antro, a força desses conteúdos não reside estritamente na tecnologia utilizada para sua criação, mas sim no resgate de referências culturais compartilhadas por diferentes gerações de torcedores.
A dinâmica de engajamento do torneio passou por uma sequência de validações que ligam o ambiente informal das redes às estruturas oficiais do esporte: o conteúdo nasce na comunidade, ganha escala entre torcedores, é absorvido pelos próprios atletas em campo e, por fim, passa a ser integrado pela cobertura da entidade organizadora e por figuras da cultura pop.
"Durante muito tempo, o meme era consequência de um grande acontecimento. Hoje, ele também ajuda a determinar quais acontecimentos permanecem vivos na conversa pública. Quando atletas, influenciadores e organizações entram na brincadeira, o meme deixa de ser apenas humor e passa a fazer parte da experiência do evento." — Wangler Bastos, cofundador e CMO da Antro.
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