Mercado publicitário global deve atingir US$ 1,4 trilhão até 2030 impulsionado por IA e experiências urbanas
Estudo global da PwC aponta crescimento anual de 5,6% nas receitas de anúncios; no Brasil, especialista sênior destaca a fusão entre inteligência de dados e vivências presenciais para combater a saturação das telas
14.07.2026

O mercado publicitário mundial caminha para a sua maior reconfiguração da década. Impulsionado pela consolidação da inteligência artificial, novos modelos de streaming e um desejo crescente por vivências presenciais, o investimento publicitário global deve atingir a marca de US$ 1,4 trilhão até 2030. Os dados inéditos são do relatório Global Entertainment & Media Outlook, produzido pela PwC, que aponta um crescimento médio de 5,6% ao ano nessas receitas, superando o ritmo de gastos diretos dos próprios consumidores.
O avanço sinaliza uma mudança de comportamento: diante da saturação gerada pelo excesso de telas, o público passa a demandar uma combinação de conveniência digital, preços acessíveis e experiências imersivas no ambiente físico.
A Nova Dinâmica da Comunicação Urbana no Brasil
No cenário brasileiro, essa intersecção entre monitoramento de dados e o espaço físico tem exigido um novo nível de maturidade no planejamento de marcas e de governos. A publicidade tradicional baseada na interrupção comercial perde espaço para estratégias integradas à rotina das cidades.
O papel da comunicação institucional e de grandes marcas passa a ser o de atuar como provedor de utilidade e contexto ao longo da jornada do cidadão. Sob essa ótica, elementos como mobilidade urbana, prestação de serviços e espaços públicos de lazer passam a coexistir de forma equilibrada com as plataformas digitais como pontos de contato contínuos.
Inteligência Artificial e a Revalorização do Presencial
O estudo da PwC aponta que a hiperpersonalização de peças publicitárias via IA é um dos motores fundamentais para a expansão da indústria de Entretenimento e Mídia (E&M). Contudo, o uso da tecnologia se estende para além da criação de anúncios customizados:
Leitura de Dados Públicos: Otimização de fluxos de informação e serviços públicos em tempo real;
Experiências Integradas: Conexão entre o digital (online) e o físico (offline) para reduzir o distanciamento entre marcas e comunidades;
Reencontro Coletivo: Uso de dados para impulsionar e qualificar ativações presenciais, como festivais de rua e shows.
O movimento consolida uma tendência observada desde o período pós-pandemia: a busca do público por experiências físicas coletivas, desafiando os gestores a desenharem campanhas que tenham relevância social e alta eficiência de entrega.
"Cidades e marcas institucionais precisam funcionar como geradoras de conteúdo nativo e relevante, abandonando de vez as velhas fórmulas de interrupção comercial. A atenção não é mais capturada por impacto ou apelo, mas construída pela utilidade, contexto e presença contínua ao longo da jornada cotidiana dos brasileiros, na comunicação física ou digital." — Lília Lopes, Diretora de Publicidade na Prefeitura Municipal de Salvador (PMS).
"As IAs podem sofisticar a publicidade, mas o verdadeiro desafio é unir eficiência de entrega e relevância social da comunicação. O movimento aponta para uma reorganização do ecossistema de comunicação, em que o digital deixa de ser o único centro de atenção e volta a coexistir de forma mais equilibrada com a experiência física." — Lília Lopes, especialista sênior com quase 30 anos de experiência em Comunicação Digital, Marketing e Publicidade.
INBOX
Aprenda algo novo todos os dias.
Assine gratuitamente as newsletters da Adnews.