Netflix diz que manterá streaming e Warner separados após compra
Plataforma afirma que operações seguirão independentes mesmo após a aquisição da Warner Bros. Discovery e lança site para defender a fusão bilionária
18.12.2025

A Netflix confirmou que pretende manter suas operações de streaming separadas das atividades da Warner Bros. Discovery, caso a compra da companhia seja concluída. A posição foi apresentada em um site criado especificamente para defender a fusão, batizado de Netflix + Warner Bros., no qual as empresas detalham as premissas do novo modelo de atuação conjunta.
Segundo o comunicado, a proposta prevê a continuidade das duas estruturas de forma independente, com preservação das equipes atuais. “A Netflix e a Warner Bros. têm negócios complementares, e é por isso que planejamos continuar operando-as de forma independente — com as equipes que atualmente as gerenciam”, afirma o texto.
A promessa inclui a manutenção da atual liderança da DC Studios, com James Gunn e Peter Safran à frente dos projetos do estúdio.
No site, a Netflix também reforça o compromisso de ampliar investimentos em filmes e séries originais, além de expandir sua capacidade de produção nos Estados Unidos. “Nos últimos quatro anos, contribuímos com mais de US$ 125 bilhões para a economia americana e contratamos mais de 140 mil pessoas. Com a Warner Bros., poderemos fazer ainda mais”, diz o comunicado.
Negócio bilionário e mudança de estratégia
O acordo anunciado pela Netflix envolve a aquisição da Warner Bros. Discovery em uma operação estimada em quase US$ 83 bilhões em valor empresarial, avaliando a empresa em US$ 27,75 por ação. A transação combina dinheiro e ações e está entre as maiores da história do entretenimento global.
Com a compra, a Netflix passaria a incorporar um vasto catálogo histórico de filmes e séries, incluindo ativos como HBO e HBO Max, além de estúdios e franquias consolidadas. A operação marca uma mudança relevante na estratégia da empresa, que historicamente cresceu baseada em produção própria e licenciamento, e agora avança sobre ativos tradicionais de Hollywood.
Pressão regulatória e críticas do mercado
Apesar do discurso de complementaridade, o negócio enfrenta forte escrutínio regulatório. Cineastas, produtores e parlamentares norte-americanos pediram análises rigorosas de órgãos antitruste, citando riscos de concentração de mercado e impactos sobre concorrência, distribuição e relações trabalhistas no audiovisual.
Durante o processo, concorrentes como a Paramount questionaram a condução da venda, alegando favorecimento à Netflix. O caso também mobilizou autoridades nos Estados Unidos, com pedidos formais de investigação encaminhados à Comissão Federal de Comércio (FTC) e ao Departamento de Justiça.
As negociações seguem em caráter exclusivo e, se avançarem, ainda dependerão de aprovação dos reguladores — uma etapa que pode se estender ao longo de 2026 e definir os rumos do mercado global de streaming e entretenimento.
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