Nostalgia vira estratégia para marcas renovarem produtos clássicos
Aos 35 anos, Moranguete amplia o portfólio com novos formatos e versões proteicas sem abandonar o sabor que atravessou gerações
03.09.2026

Em um mercado marcado por lançamentos constantes, algumas marcas estão olhando para o passado para encontrar novos caminhos de crescimento. Produtos, personagens, sabores e campanhas que fizeram parte da infância de milhões de consumidores voltam às prateleiras e à publicidade com formatos atualizados.
A estratégia encontra respaldo no comportamento do brasileiro. Uma pesquisa da PiniOn, realizada em setembro de 2025 com 1.543 pessoas, mostrou que 56,8% dos entrevistados já compraram produtos ou serviços motivados por lembranças do passado. Além disso, 44,4% afirmaram que a nostalgia está muito presente em seu cotidiano. Mulheres e moradores da região Norte aparecem entre os grupos mais sensíveis a esse sentimento.
As redes sociais também têm papel importante nessa relação. De acordo com o estudo, 56,1% dos participantes disseram que conteúdos vistos nessas plataformas influenciam compras ligadas à nostalgia. Assim, um produto criado décadas atrás pode voltar ao debate por meio de vídeos, lembranças compartilhadas e comparações entre versões antigas e atuais.
É nesse movimento que a ZDA investe na renovação do Moranguete. Lançado há 35 anos, o bombom com recheio sabor morango e cobertura sabor chocolate deixou de ocupar apenas o lugar de doce da infância para entrar em diferentes momentos da rotina adulta.
Memória em novos formatos
Em vez de apenas relançar o produto original, a ZDA ampliou o portfólio inspirado no sabor do Moranguete. A empresa preserva os elementos mais reconhecidos pelo consumidor, mas adapta a marca às novas demandas por praticidade, variedade e funcionalidade.
O sabor aparece nas Pipocas Prontas Pop Up!, produzidas com milho Mushroom e com fórmula sem lactose e sem glúten. A linha também inclui o Moranguete Jelly e o TopBel Moranguete.
Mais recentemente, a empresa entrou no segmento de alimentos proteicos com a barra Moranguete Pro, que oferece 12 gramas de proteína, não tem adição de açúcar e é livre de glúten. Outra novidade é a bebida láctea Hércules Moranguete Pro, com 15 gramas de proteína por porção, zero lactose e sem adição de açúcares.
Dessa forma, a ZDA leva um sabor conhecido a categorias associadas ao consumo adulto e à procura por alimentos funcionais. A memória afetiva desperta o interesse, enquanto os novos formatos ampliam as ocasiões de consumo.
“O portfólio da ZD Alimentos une inovação e memória afetiva, o que torna a comemoração dos 50 anos da empresa ainda mais simbólica. Neste tempo, sempre estivemos atentos para manter a experiência de sabor que conquistou gerações, sem deixar de lado a renovação do nosso portfólio, que acompanha os desejos dos brasileiros”, afirma Eloizi Dedemo, vice-presidente de mercado do Grupo ZD Alimentos.
Segundo a executiva, a companhia pretende continuar apresentando novidades, fortalecendo parcerias e preparando o portfólio para os próximos anos.
Nostalgia
A presença da nostalgia nas estratégias das marcas ganhou força em 2026. Na Páscoa, personagens conhecidos, embalagens inspiradas em outras décadas e produtos que haviam deixado o mercado ocuparam espaço entre os lançamentos das fabricantes de chocolate.
A Brasil Cacau também explorou esse território ao trazer de volta o chocolate da Turma da Mônica, popular nos anos 1990. O produto retornou com seus personagens clássicos, mas dentro de uma estratégia comercial e de comunicação voltada ao varejo atual. O relançamento mostrou como uma marca pode transformar uma lembrança conhecida em novidade nas gôndolas.
A Maggi seguiu caminho semelhante em 2026 ao celebrar os 50 anos da Galinha Azul. A personagem, que se tornou um dos principais símbolos da marca no Brasil, ganhou embalagens comemorativas de edição limitada e voltou a aparecer nas redes sociais e em ações digitais.
Fora do setor de alimentos, a Umbro recorreu à memória do futebol brasileiro em uma coleção criada com a Carnan durante o período da Copa do Mundo. Já o Outback promoveu o retorno das Boards e reuniu personalidades de diferentes gerações em uma campanha voltada aos encontros presenciais. Nos dois casos, uma lembrança conhecida serviu como ponto de partida para uma proposta atual.
O passado precisa trazer novidade
A nostalgia funciona porque reduz a distância entre a marca e o público. Um sabor, uma música ou um personagem conhecido não precisa ser apresentado do zero. Ele já carrega histórias, associações e sentimentos construídos ao longo do tempo.
No entanto, apenas repetir uma fórmula antiga pode limitar o alcance da estratégia. O consumidor quer reconhecer o produto, mas também espera que ele dialogue com novos hábitos, canais e momentos de consumo. Para as marcas, o desafio está em identificar o que deve permanecer e o que precisa mudar.
O Moranguete mostra essa tentativa de equilíbrio. A ZDA mantém o sabor que tornou o bombom conhecido, enquanto usa essa memória para entrar em categorias como pipocas prontas, snacks com diferentes texturas e produtos proteicos.
Ao completar 50 anos em 2026, a empresa encontra em uma de suas marcas mais conhecidas uma forma de falar sobre o futuro. Nesse caso, inovar não significa abandonar o passado, mas criar novos espaços para uma lembrança que continua presente entre os consumidores.
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