
O marketing vive uma pressão real: entregar resultados agora. Hoje, neste mês, no próximo. Essa necessidade não vai desaparecer, e tudo bem. O desafio não é escolher entre curto ou longo prazo, porque essa dicotomia é falsa. O verdadeiro jogo está em fazer com que cada ação de hoje facilite a vida do seu “eu do futuro”, criando uma sequência de resultados imediatos que se tornam cada vez mais fáceis de conquistar.
Afinal, quem nunca pensou: “Se eu tivesse feito X no semestre passado, hoje estaria colhendo frutos muito maiores”?
Pois é exatamente isso que a construção de relevância e significado permite: transformar o presente em um aliado do futuro.
A saturação dos pontos de contato digitais e a pressão por metas imediatas fazem com que ações táticas ganhem prioridade e elas são importantes. Elas geram o resultado que o negócio precisa agora. Mas existe uma oportunidade poderosa em usar essas mesmas ações para algo maior: criar memória, preferência e diferenciação enquanto você performa no curto prazo.
Thiago de La Torre, no livro CMO Insights 2026, chama de “fetiche do crescimento” a obsessão por métricas instantâneas. Mas, quando olhamos com atenção, percebemos que o problema não está no curto prazo em si, está em tratá-lo como um fim isolado. Quando o curto prazo passa a ser também um construtor de significado, ele deixa de ser um sprint solitário e vira parte de uma maratona inteligente.
A inteligência artificial entra justamente como uma aliada para isso. Ela automatiza, acelera, personaliza e reduz custos liberando tempo e orçamento para que as marcas possam investir em criatividade, consistência e mensuração mais completa. Não se trata de substituir estratégia por tática, mas de permitir que a tática ganhe profundidade estratégica.
E aqui está o ponto central:
Não é preciso escolher entre cliques hoje e valor amanhã. É possível e desejável que cada campanha de performance também construa algo que permaneça.
Isso significa incorporar indicadores que revelam o impacto que continua depois do clique: lembrança de marca, consideração, intenção de compra, share of mind.... Significa entender quanto do resultado de hoje vem de ações passadas. Significa aceitar que o marketing mais eficiente é aquele que segue trabalhando mesmo quando o anúncio já saiu do ar.
Quando marcas adotam essa lógica, deixam de viver de resultados isolados e passam a criar uma sucessão de resultados imediatos sustentáveis. O curto prazo continua sendo entregue, só que com cada vez menos esforço, menos custo e mais consistência ao longo do tempo.
No fim, vencer o dilema não é escolher um lado. É transformar o agora em um construtor do amanhã. É permitir que cada ação tática carregue um pouco de significado. É facilitar a vida do seu “eu do futuro” enquanto você resolve o desafio do presente.
E, claro, proteger a reputação da marca é parte essencial desse processo, mas isso fica para um próximo artigo.
Fátima Rendeiro Consultora de Comunicação, Mídia e Inovação
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