O Paradoxo do Vibe Coding: Por que a Velocidade das IAs Não Substitui a Governança Corporativa

Enquanto ferramentas de inteligência artificial aceleram a criação de protótipos e seduzem o mercado com promessas de agilidade, a falta de segurança por design, conformidade com a ISO 42001 e monitoramento de riscos de negócio expõe empresas a prejuízos e severas sanções jurídicas

O Paradoxo do Vibe Coding: Por que a Velocidade das IAs Não Substitui a Governança Corporativa
  1. O que fez vocês entenderem que era hora de transformar a entidade?

Biondo: Talvez a palavra "transformar" seja forte demais. Não estamos apagando nem deixando para trás o legado construído pela ABMN ao longo de seus 55 anos. Muito pelo contrário: temos profundo respeito pela história da Associação e por todas as pessoas que contribuíram para sua trajetória.

Nosso objetivo é preservar, valorizar e dar ainda mais visibilidade a esse legado. Mas também entendemos que não podemos ficar parados. O mercado mudou, a tecnologia acelerou as transformações e as marcas enfrentam desafios cada vez mais complexos. Vivemos uma era de inovação, conexão e reinvenção constante. A ABMN precisa acompanhar esse movimento, refletir sobre o presente e ajudar a construir o futuro. É isso que estamos fazendo: honrando nossa história enquanto ampliamos nosso olhar para as próximas décadas.

  1. Você também percebe esse movimento de busca por mais troca, presença e conexão?

Biondo: Sim, percebemos claramente esse movimento e acreditamos muito nele. Mais do que observar essa tendência, estamos trabalhando para fortalecê-la. Acreditamos que as melhores ideias surgem do encontro entre diferentes perspectivas. Por isso, queremos criar cada vez mais espaços para troca de conhecimento, networking qualificado e construção coletiva. Nosso papel é aproximar profissionais, empresas, lideranças e parceiros em torno de conversas relevantes que ajudem a impulsionar o mercado.

  1. Como aproximar novamente o mercado dessas conversas?

Biondo: A aproximação acontece quando as pessoas se sentem representadas e percebem valor real na participação. Por isso, acreditamos na ampliação da representatividade, na criação de novas frentes de atuação e em modelos mais colaborativos de relacionamento com o mercado. Queremos que a ABMN seja uma plataforma viva de diálogo, capaz de gerar conhecimento, conexões e oportunidades para todos os seus públicos.

  1. Que tipo de associação vocês querem fortalecer daqui para frente?

Biondo: Queremos fortalecer uma associação cada vez mais aberta, plural e conectada com os desafios contemporâneos.

Uma entidade que estimule a troca de experiências, a construção conjunta de conhecimento e o diálogo entre diferentes setores da indústria. Mais do que representar o mercado, queremos ajudar a conectar pessoas, ideias e iniciativas capazes de gerar transformação positiva.

  1. O que a Fátima Rendeiro traz de diferente para esse novo momento?

Biondo: A liderança da Fátima Rendeiro se destaca por estar profundamente conectada às transformações do mercado. Ela reúne visão estratégica, capacidade de inovação e uma compreensão ampla do papel da comunicação na construção de valor para marcas e organizações. Na ABMN, sua contribuição vai além da gestão: ela fortalece nossa capacidade de curadoria, inteligência estratégica e geração de conexões relevantes em um ambiente cada vez mais dinâmico e em constante evolução.

  1. O mercado passou a valorizar lideranças mais sensíveis e agregadoras?

Biondo: Sem dúvida. O contexto atual exige lideranças capazes de lidar com complexidade, mudanças rápidas e múltiplas perspectivas.

Por isso, características como escuta ativa, empatia, capacidade de integração e construção de consensos passaram a ser diferenciais importantes. As organizações perceberam que resultados sustentáveis dependem cada vez mais de líderes capazes de mobilizar pessoas, criar ambientes colaborativos e conduzir transformações com propósito.

  1. Cultura, diversidade, escuta e inovação passaram a ocupar outro espaço dentro da entidade?

Biondo: Sem dúvida. Esses temas deixaram de ser complementares para se tornarem centrais na agenda da ABMN. Hoje entendemos que cultura, diversidade, escuta e inovação são fatores fundamentais para a competitividade, a criatividade e a relevância das organizações. Por isso, esses assuntos estão presentes em nossos fóruns, debates e iniciativas.

A ABMN vem ampliando sua atuação como curadora de discussões estratégicas e como agente de conexão entre diferentes vozes do mercado, contribuindo para uma comunicação mais contemporânea, inclusiva e alinhada às transformações da sociedade.

  1. O mercado ficou segmentado demais nos últimos anos?

Biondo: Em certa medida, sim. A especialização trouxe avanços importantes, mas também criou silos que muitas vezes dificultam uma visão integrada dos desafios do mercado.

A aproximação da ABMN com entidades como a CCRJ e a GMRJ nasce justamente da percepção de que os melhores resultados surgem da colaboração. Ao conectar diferentes áreas da comunicação e do marketing, ampliamos repertórios, estimulamos a inovação e fortalecemos a construção de soluções mais completas e consistentes para o mercado.

  1. As empresas finalmente entenderam que marca também é construção de confiança?

Biondo: Acredito que sim. Hoje, construir uma marca é, essencialmente, construir relações de confiança.

Quando falamos em sustentabilidade, não estamos nos referindo apenas às questões ambientais, mas à capacidade de desenvolver práticas consistentes, duradouras e responsáveis. É preciso pensar em soluções de longo prazo, com uso inteligente de recursos e impacto positivo para a sociedade.

O consumidor atual é participativo, bem informado e exige coerência. Ele espera que as empresas tenham propósito, pratiquem aquilo que comunicam e contribuam efetivamente para a sociedade. Não há mais espaço para discursos vazios ou para o greenwashing. A consistência entre discurso e prática se tornou um dos principais ativos de uma marca.

  1. O que merece reconhecimento hoje que talvez não fosse valorizado há alguns anos?

Biondo: Hoje merecem reconhecimento as empresas que conseguem alinhar propósito, impacto e resultados. Durante muito tempo, a comunicação valorizou principalmente a criatividade e a capacidade de gerar atenção. Isso continua importante, mas já não é suficiente. As marcas precisam demonstrar responsabilidade, coerência e compromisso com os impactos que geram. Questões como sustentabilidade, diversidade, ética, governança e contribuição social passaram a fazer parte dos critérios de avaliação de consumidores, investidores e da própria sociedade. O reconhecimento hoje vai para quem consegue transformar valores em ações concretas.

  1. Existe uma intenção de tornar a ABMN um espaço mais ativo de conteúdo?

Biondo: Nosso principal objetivo é estimular conversas relevantes e fortalecer a indústria do marketing e da comunicação.

Naturalmente, isso nos leva a assumir um papel cada vez mais ativo na produção e na curadoria de conteúdo. Mas não enxergamos isso como um destino final. O mais importante é o processo: promover encontros, incentivar reflexões, conectar diferentes perspectivas e construir conhecimento coletivamente. É dessa dinâmica que surgem novas iniciativas, formatos e projetos capazes de ampliar a relevância da Associação.

  1. Como aproximar as novas gerações sem transformar tudo apenas em linguagem de algoritmo?

Biondo: Temos um comitê de comunicação extremamente qualificado, liderado por profissionais que representam diferentes visões e experiências do mercado. O Lucas Daibert é uma peça importante desse movimento, mas contamos com um grupo diverso que contribui para essa nova fase da ABMN.

Acreditamos na tecnologia e reconhecemos a importância da inteligência artificial e dos algoritmos. Eles são ferramentas indispensáveis no cenário atual. Mas continuamos acreditando que o elemento humano é o grande diferencial. São as pessoas que definem propósito, estratégia, criatividade e geração de valor. Quando existe clareza de essência e direção, a tecnologia deixa de ser protagonista e passa a cumprir seu papel: potencializar resultados.

  1. O que ainda faz uma marca, uma liderança ou uma entidade permanecer relevante?

Biondo: A relevância nasce da coerência. Vivemos um momento em que discurso e prática precisam caminhar juntos. As marcas já não são avaliadas apenas por suas campanhas ou produtos, mas também pela forma como se relacionam com colaboradores, pares, consumidores e sociedade.

Ter um propósito claro e agir de acordo com ele deixou de ser diferencial para se tornar responsabilidade. O mesmo vale para lideranças e entidades. Permanecem relevantes aquelas que conseguem gerar valor real, manter consistência ao longo do tempo e construir relações baseadas em confiança.

  1. O que mais te anima nesse novo capítulo da ABMN?

Biondo: O que mais me motiva é a oportunidade de contribuir com um mercado que fez parte da minha trajetória e do meu crescimento profissional. Ao longo da minha carreira, tive a oportunidade de aprender com muitas pessoas e instituições que dedicaram tempo, conhecimento e confiança ao meu desenvolvimento. Assumir a presidência da ABMN é, para mim, uma forma de retribuir.

Também acredito profundamente que ninguém constrói nada sozinho. As grandes transformações acontecem quando pessoas se conectam em torno de objetivos comuns. E é exatamente isso que queremos fortalecer na ABMN: conexões que gerem troca, colaboração e evolução para todo o mercado.

Frase Destaque

"Talvez o futuro das entidades esteja menos em representar o mercado e mais em reconstruir conexão entre as pessoas."

Comentário: Essa frase traduz perfeitamente o momento que estamos vivendo. Não acreditamos em fórmulas prontas, respostas definitivas ou linhas de chegada. Acreditamos na construção contínua.

Nosso papel é criar ambientes que estimulem encontros, promovam diálogos e fortaleçam conexões genuínas. Porque, no fim das contas, são as pessoas que movem as ideias, as marcas, os negócios e as transformações que queremos ver acontecer.

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