ONU quer controlar a IA, EUA dizem não

Enquanto o Secretário-Geral António Guterres defende um painel científico nos moldes do IPCC para mitigar riscos, potências tecnológicas temem que a burocracia internacional sufoque a inovação

ONU quer controlar a IA, EUA dizem não

A inteligência artificial tem sido uma das maiores revoluções tecnológicas das últimas décadas, e também um dos maiores desafios regulatórios do mundo contemporâneo. Em uma cúpula global recente, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu a criação de uma comissão internacional para supervisionar a IA, com foco em garantir que a tecnologia continue sob “controle humano”. A proposta se inspiraria em modelos como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, usado para clima, mas voltado para avaliar riscos e oferecer recomendações baseadas em evidências científicas.

A ideia é que esse tipo de grupo pudesse fornecer análises e orientações sobre o uso da IA em áreas críticas, desde a proteção de direitos humanos até a prevenção de abusos em setores como saúde, educação e segurança. A proposta foi formalizada com a nomeação de 40 especialistas internacionais para um painel científico independente sobre inteligência artificial, com mandato até 2029, após voto da Assembleia Geral da ONU.

No entanto, nem todos os países abraçaram essa visão. Os Estados Unidos, um dos líderes globais em tecnologia e desenvolvimento de inteligência artificial, rejeitaram a ideia de uma governança global centralizada da IA. Autoridades americanas afirmaram que “totalmente rejeitam” um quadro de supervisão que colocaria a tecnologia sob controle global, argumentando que isso pode inibir inovação e criar burocracia desnecessária.

Segundo conselheiros tecnológicos da Casa Branca, o foco deve ser mais no desenvolvimento competitivo e local da IA do que em estruturas internacionais que definam regras únicas para todos. Essa posição reflete um debate mais amplo entre países sobre o equilíbrio entre inovação, liberdade tecnológica e proteção de direitos.

Especialistas em política internacional dizem que essa divisão mostra o quanto ainda é difícil alcançar consenso global sobre uma tecnologia que evolui rapidamente e que tem impacto em praticamente todos os setores da economia e da sociedade. Enquanto alguns países defendem regras mais rígidas e mecanismos de supervisão, outros temem que isso possa sufocar o desenvolvimento tecnológico.

No fim, a pergunta não é se a inteligência artificial vai evoluir, isso já é certo. A questão é quem vai apertar o botão de “configurações”. E, pelo visto, o mundo ainda está discutindo quem fica com o controle remoto. Tenha um bom dia!

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