OOH Summit 2026: Central de Outdoor lança manifesto por autorregulação
Halisson Pontarola, presidente da Central de Outdoor, afirma que a entidade busca liderar uma agenda de coesão para evitar que o crescimento do meio seja freado por intervenções estatais desproporcionais
19.03.2026

Com recorde de mais de mil inscrições e a proposta de inaugurar uma nova fase para a mídia exterior no país, o OOH Summit Brasil 2026 abriu sua programação nesta quarta-feira (18) colocando a autorregulação no centro da agenda. Após a abertura de Halisson Pontarola, presidente da Central de Outdoor, o evento tornou-se palco para o lançamento do documento "Manifesto do OOH: O Setor se Organiza, o Mercado Avança". A iniciativa sinaliza que a entidade busca liderar uma agenda de coesão para evitar que o crescimento do meio seja freado por intervenções estatais desproporcionais.
A necessidade de uma postura proativa foi reforçada por Tom Goddard, presidente da World Out of Home Organization (WOO), que fez um alerta em sua palestra que ocorreu na sequência do discurso de abertura de Pantarola. Em um dos momentos mais contundentes de sua fala, Goddard relembrou o impacto das restrições que retiraram formatos de grande porte da paisagem urbana de São Paulo em 2015. Ele lembrou que, enquanto alguns mercados sofrem com a falta de regras, outros padecem com o excesso de restrições.
Ao analisar o caso brasileiro, Goddard foi direto: na sua visão, houve falhas de autorregulação do próprio setor no passado, o que gerou uma resposta regulatória que ele classificou como desproporcional. Esse cenário levou a WOO a criar uma força-tarefa global para apoiar seus membros em processos de defesa institucional, servindo de alerta para que o mercado local não repita erros de coordenação.
O debate sobre governança reuniu os principais nomes da autorregulação publicitária no Brasil. Luiz Lara, presidente do CENP, destacou que o OOH brasileiro atingiu um patamar de investimento que exige responsabilidade institucional. "A autorregulação é o pilar do desenvolvimento econômico. Ela garante transparência, ética e condições justas de concorrência em setores essenciais para o país", afirmou Lara, reforçando que o meio deve ser o primeiro a zelar pela sua integridade.
Complementando a visão, Sergio Pompilio, presidente do CONAR, enfatizou o papel da publicidade responsável. "A proteção da publicidade ética não pode ter fronteiras. O compromisso precisa ser respeitado em toda a cadeia publicitária para garantir um ambiente de confiança entre marcas e consumidores", pontuou. Para Felipe Davis, diretor da Central de Outdoor, o caminho é claro: "Mercados fortes são aqueles que conseguem crescer com responsabilidade".
O manifesto apresentado pela Central de Outdoor surge como uma resposta a esse histórico. O documento defende que o amadurecimento do setor — que já detém 12,1% do total investido em mídia no país (Cenp-Meios) — exige que a indústria estabeleça seus próprios limites éticos e estéticos. Para Halisson Pontarola, o desafio é avançar de forma estruturada, incorporando tecnologia e dados sem perder a legitimidade institucional.
Além da questão política, o manifesto foca na unificação de métricas de audiência. A fragmentação de dados atual é apontada como um dos principais entraves para a atração de investimentos globais. A proposta é que a própria indústria lidere a publicação de dados consistentes, criando uma "moeda de troca" confiável para agências e anunciantes. Ao unir as exibidoras sob normas comuns, a Central de Outdoor busca elevar o patamar de transparência e profissionalismo do setor no Brasil.
O OOH Summit Brasil 2026 conta com patrocínio master da NEOOH e THE LED, além do apoio de importantes empresas do setor, como OOH Brasil, Amplilume, Inviron, Mundo de LED e WDC Networks.
INBOX
Aprenda algo novo todos os dias.
Assine gratuitamente as newsletters da Adnews.