OOH Summit Brasil: mídia regenerativa e futuro das cidades dominam debates no último dia
Principal painel do dia reuniu a arquiteta Regina Monteiro (CPPU) e a vereadora Amanda Vettorazzo para discutir o equilíbrio entre publicidade e paisagem urbana; evento atraiu mil participantes
20.03.2026

O segundo e último dia do OOH Summit Brasil 2026, realizado nesta quinta-feira, em São Paulo, trouxe para o centro do debate a relação intrínseca entre a mídia exterior e o desenvolvimento das metrópoles. Com cerca de mil participantes, o encontro promovido pela Central de Outdoor destacou como o setor está evoluindo para se tornar um agente de qualificação do espaço público através do conceito de mídia regenerativa.
O ponto alto da programação foi o painel “Mídia Regenerativa: Um Novo Papel para a Comunicação Urbana”. O debate reuniu figuras fundamentais para o ordenamento da capital paulista: Regina Monteiro, arquiteta e presidente da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), órgão municipal de São Paulo vinculado à Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL); a vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil); e o geógrafo e consultor Sérgio Ávila Rizzo, sob mediação de Felipe Davis, diretor de novos negócios da Central de Outdoor.
A discussão focou na premissa de que a comunicação urbana deve ser orgânica e funcional, evitando a saturação. Regina Monteiro, expoente na regulação da paisagem em São Paulo, foi enfática: “Quando a gente tem um monte de alguma coisa boa, ela vira poluição. É preciso ter medida e entender quando a comunicação contribui ou apenas ocupa espaço”.
Regina defendeu o uso de termos de cooperação para testar inovações de forma temporária, permitindo ajustes antes da consolidação de novas regras. Já a vereadora Amanda Vettorazzo reforçou que o sucesso de projetos de revitalização, como os do centro de São Paulo, depende do diálogo entre o poder público e a iniciativa privada. “Temos aqui o legislativo, o executivo e as empresas. Esse equilíbrio é o que faz dar certo”, afirmou a parlamentar.
Sérgio Rizzo complementou a visão técnica ao pontuar que o OOH regenerativo precisa respeitar a identidade local. “Antes de pensar em projetos, é preciso entender o DNA da cidade, suas potências e seus desafios”, explicou, destacando o papel da mídia na valorização do patrimônio e na inclusão urbana.
O debate sobre mídia regenerativa também serviu de pano de fundo para reforçar o Manifesto do OOH Brasileiro, lançado no primeiro dia do evento. O documento estabelece critérios éticos e de segurança operacional que visam dar sustentabilidade ao crescimento do meio. “Setores maduros não esperam a crise para agir, eles constroem os próprios critérios”, destacou Felipe Davis.
A agenda do dia seguiu com outros temas estratégicos. Guilherme Meyer, CEO da VEX e diretor da Central de Outdoor, abordou a competitividade das empresas independentes, destacando vantagens como agilidade e proximidade com mercados locais. Segundo ele, o setor vive um ecossistema de coexistência, e não uma disputa de "Davi contra Golias".
A parte técnica do evento explorou o impacto do meio através da ciência. Rodrigo Rodrigues, CMO da OOH Brasil, apresentou insights sobre como a neurociência explica a atenção do consumidor no ambiente urbano. O encerramento das palestras ficou por conta do antropólogo Michel Alcoforado, que discutiu a "Economia da Atenção", posicionando o OOH como uma plataforma essencial de presença em um mundo saturado de estímulos digitais. O OOH Summit Brasil 2026 contou com patrocínio master de NEOOH e THE LED, com apoio de OOH Brasil, Amplilume, Inviron, Mundo de LED e WDC Networks.
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