Otimismo baseado em fatos: Thomaz Naves analisa por que o mundo não está em deterioração contínua

Vice-Presidente da Times Brasil Licenciado CNBC destaca que, embora o alarmismo domine as manchetes, indicadores globais de saúde, educação e pobreza revelam avanços históricos nas últimas décadas

Adnews

02.03.2026

Otimismo baseado em fatos: Thomaz Naves analisa por que o mundo não está em deterioração contínua

O otimismo sempre foi uma marca minha. Mas faço questão de esclarecer: ser otimista não é fazer de conta que os problemas não existem. Não é ignorar a pobreza, as guerras, as desigualdades ou as crises que atravessam o nosso tempo. É, simplesmente, escolher acreditar que é possível avançar — e buscar evidências concretas de que, apesar de tudo, avançamos.

Foi com esse olhar que li Factfulness, o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos, de Hans Rosling. O livro foi indicado pelo Financial Times e elogiado por nomes como Barack Obama e Bill Gates, que o definiu como um dos mais importantes que já leu. Mas, para além dos prêmios e das recomendações, o que realmente me marcou foi a ideia central da obra: o mundo não é tão dramático quanto parece.

A gente vive mergulhado em manchetes alarmistas. É natural que seja assim: notícias ruins chamam mais atenção. Nosso cérebro foi moldado, ao longo de milhões de anos, para reagir rapidamente ao perigo. O problema é que essa mesma tendência nos leva a conclusões apressadas. Repetimos frases como “o mundo está cada vez pior” ou “nunca houve tanta desgraça” quase no automático. Está na conversa do táxi, no almoço de trabalho, nas redes sociais.

Como vice-presidente comercial e de marketing da emissora Times Brasil Licenciado CNBC, convivo todos os dias com informação, números e análises. E isso reforça uma convicção pessoal: opinião é importante, mas fato é fundamental. Quando nos ancoramos em dados concretos, a visão fica mais equilibrada. Nem cor-de-rosa, nem apocalíptica.

Alguns números ajudam a colocar as coisas em perspectiva. Hoje, cerca de 60% das meninas em países de baixa renda concluem o ensino fundamental. A vacinação alcança praticamente todas as crianças do mundo. Isso significa que a imensa maioria das pessoas vivas hoje tem algum acesso a cuidados básicos de saúde. É suficiente? Não. Mas é muito melhor do que era há poucas décadas.

Desde 2000, a taxa global de mortalidade infantil caiu de 76,7 para 36,7 por mil nascidos vivos em 2023. Esse avanço está ligado ao aumento da cobertura vacinal, à melhora da nutrição e ao maior acesso a antibióticos. Estudos mostram também que, quando mulheres têm mais acesso à educação, a mortalidade infantil diminui. Ou seja: políticas públicas funcionam. Investimento em educação e saúde gera resultado. Ainda precisamos avançar — e muito —, mas há evidências claras de progresso.

O mesmo vale para a pobreza extrema. Em 1990, cerca de 2,3 bilhões de pessoas viviam nessa condição. Desde então, aproximadamente 1,5 bilhão deixaram a extrema pobreza. Em média, ao longo dos últimos 35 anos, algo como 115 mil pessoas por dia superaram o nível mais severo de privação. Isso não significa uma vida confortável. Significa, muitas vezes, sair da fome crônica, ter acesso à água potável, alguma eletricidade, um atendimento básico de saúde. Para quem tem quase nada, isso muda tudo.

Nada disso apaga os desafios que ainda enfrentamos. Há regiões devastadas por conflitos, comunidades sem saneamento adequado, crianças fora da escola e milhões de pessoas vivendo com renda insuficiente. O mundo está longe de ser ideal. Mas ele também está longe de ser apenas um cenário de deterioração contínua. O excesso de drama nos paralisa. Quando acreditamos que tudo está piorando o tempo inteiro, perdemos energia para agir. Quando entendemos onde houve avanço, conseguimos identificar o que funcionou e ampliar soluções.

Meu otimismo nasce daí. Não de uma visão ingênua, mas de uma leitura baseada em fatos. Entre o pessimismo permanente e o otimismo cego, eu fico com o realismo informado. Ele não ignora os problemas, mas também não ignora os avanços.

E controlar a quantidade de drama que consumimos é, hoje, um exercício de responsabilidade. Isso passa por escolher bem as fontes de informação, buscar jornalismo sério e de qualidade, dizer não às fake news e valorizar veículos comprometidos com dados, contexto e apuração rigorosa. É assim que formamos opiniões mais sólidas e menos reativas. O mundo não está maravilhoso. Mas também não está condenado. E reconhecer isso, com base em informação confiável, é o primeiro passo para continuar avançando.

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