Pesquisa inédita mostra apoio da população de São Paulo à mídia regenerativa para revitalização urbana
Levantamento da Central de Outdoor com o Instituto QualiBest aponta que até 97% dos paulistanos aprovam o uso da publicidade OOH como ferramenta para financiar a recuperação de prédios degradados e a preservação de espaços públicos
14.08.2026

Uma pesquisa inédita realizada pela Central de Outdoor em parceria com o Instituto QualiBest revela que a população da cidade de São Paulo apoia o conceito de mídia regenerativa — modelo em que a veiculação de anúncios de mídia exterior (Out of Home) é atrelada a contrapartidas de restauro, revitalização e manutenção do espaço urbano.
O estudo, que ouviu 1.025 pessoas (875 via painel online e 150 em abordagens presenciais na Avenida Paulista, Praça da República e Anhangabaú), foi lançado durante o evento "Nasce um novo conceito de mídia", em São Paulo. O debate contou com a presença de Regina Monteiro, presidente da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) e superintendente da SP Urbanismo, além de diretores da associação.
Os dados mostram altos índices de aprovação para projetos em que o financiamento publicitário custeie obras de recuperação:
Restauro de Edifícios Degradados: Aprovado por 83% dos entrevistados online e 95% dos entrevistados presenciais;
Preservação de Espaços Públicos: Aprovado por 84% no recorte online e 97% no presencial;
Percepção de Benefícios: 91% do público online e 99% do presencial consideram importante adotar o modelo para recuperar áreas públicas, associando a prática à melhoria do bem-estar visual e ao aumento da sensação de segurança.
"A pesquisa mostra que a população entende que a comunicação urbana pode ter um papel construtivo quando está associada a benefícios concretos para a cidade. A mídia regenerativa propõe exatamente isso: integrar publicidade, responsabilidade urbana e melhoria real do espaço público", destaca Halisson Pontarolla, presidente da Central de Outdoor.
Percepção da Cidade e Receptividade do Modelo
A receptividade à mídia regenerativa se justifica pelas principais críticas apontadas pelos moradores sobre o ambiente urbano atual:
Pontos Positivos Valorizados: Áreas verdes, parques e praças foram citados por cerca de 58% dos participantes como os elementos mais agradáveis da capital, seguidos pela arquitetura de regiões históricas;
Pontos Críticos: Sujeira, lixo acumulado, poluição veicular e deterioração da infraestrutura (como calçadas, fiações e fachadas de prédios) figuram entre as maiores queixas;
Potencial Transformador: Para 75% dos entrevistados online e 94% dos presenciais, a entrada do modelo de mídia regenerativa tem potencial direto para elevar a qualidade do ambiente urbano.
"Existe espaço para uma discussão mais madura sobre a presença da comunicação nas cidades. Quando associada a contrapartidas claras para o ambiente urbano, a publicidade deixa de ser vista apenas como exposição comercial e passa a ser compreendida como ferramenta de qualificação da paisagem", complementa Fabi Soriano, diretora executiva da entidade.
Debate sobre Regulação e Parâmetros Urbanos
Durante o painel de discussão mediado por Felipe Davis, vice-presidente da Central de Outdoor, Regina Monteiro enfatizou que a aproximação entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil deve respeitar as diretrizes de cada território (como mobilidade, preservação e sustentabilidade) e contar com a participação de urbanistas e arquitetos.
Felipe Davis salientou a necessidade de estabelecer parâmetros operacionais transparentes para os projetos: prazos de veiculação, cronogramas de entrega das obras e responsáveis diretos pela manutenção das melhorias urbanas geradas pelos anúncios.
Panorama do Setor OOH
A tese da mídia regenerativa ganha força em meio ao crescimento da indústria de mídia exterior no país. Conforme dados da pesquisa Panorama Central de Outdoor 2026 (conduzida pela Objet Trouvé Soluções), a entidade reúne 195 associados (exibidoras, agências e fornecedores) que movimentam R$ 2,9 bilhões por ano, gerenciando cerca de 147 mil faces publicitárias distribuídas por todos os 27 estados brasileiros.
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