Pesquisa revela que 20% dos brasileiros aceitam se endividar pelo hexacampeonato na Copa do Mundo 2026
Estudo da Creditas e Opinion Box aponta que o índice de tolerância ao endividamento pelo título sobe para 30% entre jovens de 18 a 24 anos e atinge 37% entre quem já possui contas em atraso
10.06.2026

A um dia da abertura oficial da Copa do Mundo de 2026, a paixão cultural pelo futebol projeta impactos severos sobre a saúde financeira da população. É o que comprova o estudo inédito “Placar das Finanças: como o futebol mexe no bolso e na dívida dos brasileiros”, realizado pela plataforma de crédito Creditas em parceria com o instituto de pesquisas Opinion Box. O levantamento revela que 20% dos brasileiros estão dispostos a contrair dívidas se isso garantisse o hexacampeonato da Seleção Brasileira na América do Norte.
A tolerância ao risco financeiro em nome do título esportivo é ainda mais acentuada entre o público jovem de 18 a 24 anos: o índice de pessoas dispostas a se endividar salta para 30% nessa faixa etária, composta por uma geração que, devido à idade, nunca presenciou o Brasil ser campeão do mundo. Entre os cidadãos que já se encontram inadimplentes, a urgência pelo título supera a responsabilidade fiscal: 37% dos endividados afirmam que aceitariam ampliar o saldo de suas dívidas em troca do troféu.
Consumo por Impulso e Socialização Sem Planejamento
O relatório cruza dados de comportamento de consumo em um cenário econômico em que as famílias brasileiras já se encontram pressionadas por dívidas estruturais. Mesmo com o orçamento fragilizado, o apelo social do torneio dita o ritmo dos gastos:
Disposição para Gastar: A grande maioria dos entrevistados (74%) projeta desembolsar dinheiro com produtos, vestuário ou alimentação ao longo do período da Copa.
Falta de Orçamento: Desse grupo que pretende gastar, 80% admitem que fariam as compras por impulso, sem qualquer planejamento financeiro prévio para acompanhar as partidas da Seleção.
Justificativa Social: Para 49% dos participantes, os momentos de socialização — como a organização de churrascos e reuniões de torcida com amigos e familiares — justificam extrapolar o teto dos gastos previstos para o mês.
No imaginário popular, equilibrar as contas domésticas e vencer o Mundial da FIFA possuem pesos de dificuldade equivalentes. Enquanto 41% dos entrevistados acreditam ser mais fácil terminar o ano de 2026 sem nenhuma dívida do que ver a Seleção erguer a taça, 39% trilham o caminho inverso, considerando mais provável o Brasil ser hexacampeão do que suas próprias finanças fecharem o ano no azul.
“A Copa cria um ambiente de forte mobilização emocional e social, o que naturalmente flexibiliza decisões financeiras que normalmente seriam mais racionais. O problema é quando essa combinação de impulso, consumo e falta de planejamento começa a pressionar ainda mais um orçamento que já está fragilizado”, alerta Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas.
O termômetro financeiro também flutuará conforme o desempenho da equipe em campo: 47% dos brasileiros afirmam que vão aumentar os desembolsos à medida que o Brasil avance nas fases eliminatórias (oitavas, quartas e semifinal). Além disso, 14% independentemente de títulos, admitem se endividar apenas para custear a experiência festiva do torneio.
Casas de Apostas e Bolões Elevam Risco de Crédito
Outro vetor de risco mapeado pela pesquisa é a consolidação das apostas esportivas (bets) e bolões comerciais como entretenimento fixo na rotina dos jogos. Mais da metade da população (56%) afirma que planeja colocar dinheiro em palpites digitais durante a Copa do Mundo. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o interesse por apostas atinge 69%.
Embora o lazer e a diversão liderem os motivos para palpitar (54%), o estudo detectou que uma parcela significativa de internautas enxerga as plataformas de apostas sob uma ótica financeira distorcida:
31% dos potenciais apostadores buscam nas bets uma forma rápida de angariar dinheiro para cobrir as despesas básicas do mês;
15% dos usuários veem as plataformas como uma oportunidade de obter renda extra especificamente para quitar dívidas em atraso.
A vulnerabilidade se acentua ao constatar que a adesão às apostas é substancialmente maior entre a população que já está negativada. Cerca de 79% dos endividados pretendem apostar na Copa de 2026, contra um índice de 48% registrado entre as pessoas que estão com as contas em dia.
“Quando o entretenimento passa a ser acompanhado por um comportamento de risco, surge um ponto de atenção importante. Os dados mostram que as apostas já fazem parte do cotidiano de consumo, o que reforça a necessidade de ampliar o debate sobre educação financeira, especialmente em contextos de maior exposição ao consumo e ao risco”, conclui Guilherme Casagrande.
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