Por que duas pessoas podem ver conteúdos políticos diferentes nas redes?

Entenda como o comportamento nas redes sociais e os sistemas de recomendação por inteligência artificial criam bolhas informacionais e transformam a experiência de cada usuário no feed

Por que duas pessoas podem ver conteúdos políticos diferentes nas redes?

Imagine duas pessoas sentadas lado a lado, usando o mesmo Instagram ou Facebook. Uma recebe vídeos e notícias defendendo uma determinada visão política. A outra recebe conteúdos completamente diferentes. Como isso acontece?

A resposta está nos algoritmos de recomendação. Eles analisam sinais do nosso comportamento para tentar descobrir quais conteúdos podem nos interessar. Curtidas, comentários, compartilhamentos, contas seguidas, vídeos assistidos e até o tempo que passamos olhando uma publicação podem influenciar o que aparece no nosso feed. A própria Meta explica que utiliza inteligência artificial para classificar e recomendar conteúdos com base nesses sinais.

Por exemplo: se você costuma assistir até o final a vídeos sobre determinado político, o sistema pode interpretar isso como interesse e passar a recomendar conteúdos semelhantes. Já outra pessoa, que segue páginas diferentes ou demonstra interesse por outros assuntos, provavelmente receberá recomendações diferentes.

E o algoritmo não precisa saber exatamente em quem você vota. Ele observa seu comportamento e faz previsões sobre quais conteúdos têm maior chance de prender sua atenção.

A dinâmica das bolhas e a personalização do conteúdo

No caso da política, isso ganhou ainda mais importância. Em 2025, a Meta anunciou mudanças na forma como recomenda conteúdo político no Facebook, Instagram e Threads, permitindo uma experiência mais personalizada para quem demonstra interesse nesse tipo de assunto.

Isso pode criar o que muitas vezes chamamos de “bolha”: você interage com determinado tipo de conteúdo, o sistema aprende que aquilo interessa a você e passa a mostrar mais conteúdos semelhantes. Você interage novamente e o ciclo continua.

Por isso, duas pessoas podem passar horas na mesma rede social e terminar o dia com percepções completamente diferentes sobre quais assuntos estão dominando a internet.

Uma forma de diminuir esse efeito é buscar informações em diferentes fontes, acompanhar veículos jornalísticos com linhas editoriais distintas e consultar documentos ou canais oficiais quando o assunto for importante.

E vale lembrar: personalização não significa necessariamente que a plataforma esteja tentando convencer você de alguma posição política. O objetivo declarado dos sistemas é recomendar conteúdos considerados relevantes para cada usuário. O resultado, porém, pode ser uma experiência digital muito diferente para cada pessoa.

Então, se você conversar com alguém e descobrir que vocês vivem em duas internets diferentes, calma: ninguém abriu um portal para outra dimensão. Vocês provavelmente só têm algoritmos diferentes.

Um bom dia!

logo

INBOX

Aprenda algo novo todos os dias.
Assine gratuitamente as newsletters da Adnews.

Digite o seu melhor email