Por que duas pessoas podem ver conteúdos políticos diferentes nas redes?
Entenda como o comportamento nas redes sociais e os sistemas de recomendação por inteligência artificial criam bolhas informacionais e transformam a experiência de cada usuário no feed
01.09.2026

Imagine duas pessoas sentadas lado a lado, usando o mesmo Instagram ou Facebook. Uma recebe vídeos e notícias defendendo uma determinada visão política. A outra recebe conteúdos completamente diferentes. Como isso acontece?
A resposta está nos algoritmos de recomendação. Eles analisam sinais do nosso comportamento para tentar descobrir quais conteúdos podem nos interessar. Curtidas, comentários, compartilhamentos, contas seguidas, vídeos assistidos e até o tempo que passamos olhando uma publicação podem influenciar o que aparece no nosso feed. A própria Meta explica que utiliza inteligência artificial para classificar e recomendar conteúdos com base nesses sinais.
Por exemplo: se você costuma assistir até o final a vídeos sobre determinado político, o sistema pode interpretar isso como interesse e passar a recomendar conteúdos semelhantes. Já outra pessoa, que segue páginas diferentes ou demonstra interesse por outros assuntos, provavelmente receberá recomendações diferentes.
E o algoritmo não precisa saber exatamente em quem você vota. Ele observa seu comportamento e faz previsões sobre quais conteúdos têm maior chance de prender sua atenção.
A dinâmica das bolhas e a personalização do conteúdo
No caso da política, isso ganhou ainda mais importância. Em 2025, a Meta anunciou mudanças na forma como recomenda conteúdo político no Facebook, Instagram e Threads, permitindo uma experiência mais personalizada para quem demonstra interesse nesse tipo de assunto.
Isso pode criar o que muitas vezes chamamos de “bolha”: você interage com determinado tipo de conteúdo, o sistema aprende que aquilo interessa a você e passa a mostrar mais conteúdos semelhantes. Você interage novamente e o ciclo continua.
Por isso, duas pessoas podem passar horas na mesma rede social e terminar o dia com percepções completamente diferentes sobre quais assuntos estão dominando a internet.
Uma forma de diminuir esse efeito é buscar informações em diferentes fontes, acompanhar veículos jornalísticos com linhas editoriais distintas e consultar documentos ou canais oficiais quando o assunto for importante.
E vale lembrar: personalização não significa necessariamente que a plataforma esteja tentando convencer você de alguma posição política. O objetivo declarado dos sistemas é recomendar conteúdos considerados relevantes para cada usuário. O resultado, porém, pode ser uma experiência digital muito diferente para cada pessoa.
Então, se você conversar com alguém e descobrir que vocês vivem em duas internets diferentes, calma: ninguém abriu um portal para outra dimensão. Vocês provavelmente só têm algoritmos diferentes.
Um bom dia!
INBOX
Aprenda algo novo todos os dias.
Assine gratuitamente as newsletters da Adnews.