Pressão por velocidade e inovação muda produção publicitária e impõe novo ritmo ao mercado
Com mais de 70% dos investimentos concentrados no digital, marcas encurtam prazos e apostam em modelos de produção em tempo real para manter relevância
24.04.2026

A produção publicitária atravessa uma mudança estrutural definitiva. Impulsionada pela hegemonia do digital, que já concentra 72% dos investimentos de marketing, a lógica de criação entrou em um ciclo de aceleração sem precedentes. Segundo dados da Insivia, o investimento global do setor deve ultrapassar os US$ 500 bilhões ainda em 2025, exigindo que marcas abandonem o planejamento de longo prazo em favor de entregas quase imediatas e contextualizadas.
O Fim das Campanhas de Longa Maturação
Se anteriormente o desenvolvimento de uma campanha levava meses, hoje o tempo de resposta é medido em dias ou horas. De acordo com Guilherme Ghilardi, fundador da produtora independente Bizzu, o segredo para as marcas agora reside em entender o contexto criativo em tempo real. A pressão por volume é corroborada por pesquisas da Digitaloft, que indicam que 83% dos consumidores esperam ver mais vídeos das marcas, forçando as equipes a gerarem múltiplos formatos e adaptações simultâneas.
Operação Contínua e Inteligência Artificial
A transformação deixa de ser apenas criativa para se tornar um desafio operacional. Exemplos recentes demonstram essa nova escala:
Itaú no Rock in Rio: Produção de mais de 120 peças (vídeos, fotos e formatos variados) em apenas 15 dias para veiculação multiplataforma.
Vini Jr na LOUD: Anúncio do jogador como embaixador e sócio utilizou uma lógica 75% baseada em inteligência artificial, ampliando drasticamente o volume de entregas em tempo recorde.
Integração entre Produção e Publicação
A nova dinâmica do mercado extingue a separação clara entre o ato de produzir e o de publicar. Em eventos e ativações, o conteúdo é frequentemente captado, editado e distribuído no mesmo dia para competir pela atenção de um público que consome, em média, seis horas diárias de mídia.
Para Ghilardi, esse cenário exige o que ele define como “inteligência criativa”: um nível superior de integração entre as equipes para manter a qualidade e a consistência da marca em um ecossistema de produção contínua e fragmentada. O desafio central em 2026 não é apenas estar presente em todas as telas, mas conseguir produzir conteúdo com a velocidade que o ambiente digital demanda.
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