Quando a cor vira notícia: a invasão das chuteiras rosas na Copa e o desafio das marcas
O fenômeno chamou a atenção de profissionais de marketing e abriu espaço para uma discussão interessante
16.06.2026

Quem acompanha os jogos da Copa do Mundo de 2026 provavelmente já percebeu um detalhe curioso em campo: jogadores de diferentes seleções, patrocinados por marcas concorrentes, estão usando chuteiras praticamente da mesma cor. O rosa tomou conta dos gramados.
À primeira vista, muitos torcedores chegaram a acreditar que todos utilizavam o mesmo modelo ou até a mesma fabricante. Mas basta olhar com atenção para identificar os logotipos de Nike, Adidas, Puma e New Balance estampados em chuteiras visualmente muito parecidas.
O fenômeno chamou a atenção de profissionais de marketing e abriu espaço para uma discussão interessante: quando todas as marcas escolhem a mesma estratégia para se destacar, quem realmente ganha visibilidade?
A explicação para a tendência passa por fatores técnicos e comportamentais. O rosa oferece alto contraste com o verde do gramado, destaca-se nas transmissões de televisão, nas fotografias e nos vídeos compartilhados nas redes sociais. Em uma era em que cada lance pode se transformar em conteúdo viral, a visibilidade visual tornou-se um ativo valioso.
O problema é que essa lógica foi adotada simultaneamente por diversas empresas. O resultado foi um cenário raro em que a cor passou a ser mais lembrada do que as próprias marcas.
Em vez de associar imediatamente uma chuteira a uma fabricante específica, muitos espectadores passaram a comentar simplesmente sobre a presença massiva da cor rosa nos jogos. O que deveria reforçar a identidade das marcas acabou criando uma espécie de uniformização estética.
O caso é um exemplo clássico do que especialistas chamam de convergência competitiva: empresas que analisam os mesmos dados, observam as mesmas tendências e chegam a conclusões semelhantes. Individualmente, a decisão parece correta. Coletivamente, gera um efeito de padronização.
Para as marcas, o desafio agora é recuperar a diferenciação. A saída pode estar menos na cor e mais na narrativa construída em torno dos produtos. Tecnologias exclusivas, desempenho esportivo, histórias dos atletas patrocinados e edições especiais são caminhos para retomar a singularidade.
Outra possibilidade é transformar a coincidência em oportunidade de comunicação. Em um ambiente digital movido por conversas, humor e autenticidade, reconhecer a tendência e dialogar com o público pode gerar mais engajamento do que simplesmente insistir no discurso tradicional de produto.
O episódio das chuteiras rosas também revela uma mudança importante no marketing contemporâneo. Em um mercado hipercompetitivo, chamar atenção já não é suficiente. É preciso garantir que a atenção conquistada seja associada à marca certa.
Na Copa de 2026, o rosa venceu. A questão que permanece é: qual marca conseguirá transformar essa vitória da cor em vantagem para o seu negócio?
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