Redata amplia incentivo a data centers, mas capacidade local não elimina risco operacional
Novo regime tributário busca atrair infraestrutura de nuvem e inteligência artificial para o Brasil, enquanto empresas reforçam importância de redundância, segurança e continuidade
20.10.2026

A criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata, abre uma nova etapa para a expansão da infraestrutura digital brasileira.
Instituído pela Lei nº 15.504/2026, sancionada em 15 de setembro, o regime estabelece incentivos tributários para instalação, modernização e ampliação de centros de processamento de dados voltados a serviços como computação em nuvem, processamento de alto desempenho e inteligência artificial. Serviços e Informações do Brasil
A medida surge em um cenário de forte dependência de infraestrutura localizada fora do país.
Segundo diagnóstico do Ministério da Fazenda, cerca de 60% das cargas digitais brasileiras são atualmente atendidas por serviços prestados no exterior. Serviços e Informações do Brasil
Regime exige contrapartidas
O Redata não prevê apenas incentivos fiscais.
As empresas que aderirem ao programa deverão cumprir compromissos relacionados ao mercado interno, pesquisa, desenvolvimento e sustentabilidade.
Entre as exigências está a disponibilização mínima de 10% da capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados beneficiada pelo programa para o mercado brasileiro. Serviços e Informações do Brasil
Também estão previstos investimentos em pesquisa e desenvolvimento no país e critérios relacionados ao uso de fontes renováveis ou de baixa emissão.
Segundo o Ministério da Fazenda, o regime contempla ainda requisitos de eficiência hídrica e compromissos específicos para o suprimento energético das operações. Serviços e Informações do Brasil
Mais infraestrutura pode ampliar opções para empresas
Para companhias que contratam serviços de nuvem, a expansão da capacidade instalada no Brasil pode aumentar as alternativas de fornecedores e permitir maior diversificação da infraestrutura.
Isso, porém, não significa automaticamente redução de custos ou aumento de disponibilidade.
Na avaliação da ITGLOBAL.COM, empresas precisam observar não apenas onde os dados estão hospedados, mas também como o ambiente foi estruturado.
Entre os critérios estão governança dos dados, redundância, segurança, disponibilidade contratada e capacidade de recuperação diante de falhas.
Resiliência depende de arquitetura
A presença de mais data centers no país não elimina a necessidade de planejamento de continuidade.
Estratégias de Disaster Recovery, definição de objetivos de recuperação e distribuição de cargas entre ambientes diferentes continuam relevantes, especialmente para aplicações críticas.
“A ampliação da capacidade de data centers no Brasil é um avanço importante para o mercado, mas a disponibilidade de infraestrutura não garante, por si só, a continuidade das operações”, afirma Peter Jilinski, diretor regional da ITGLOBAL.COM.
Segundo ele, a confiabilidade depende da forma como os ambientes são estruturados e dos mecanismos de recuperação previstos.
Escalabilidade e previsibilidade também entram na decisão
Outro ponto de atenção para gestores de TI é a capacidade de ampliar recursos conforme a demanda.
Escalabilidade, previsibilidade de custos, suporte, segurança e conformidade devem ser analisados em conjunto no momento de escolha de um provedor.
Com isso, o Redata pode ampliar a oferta de infraestrutura local, mas a decisão empresarial continuará dependendo de fatores que vão além da localização física dos servidores.
Brasil tenta reduzir dependência externa
O governo federal apresenta o regime como parte de uma estratégia de atração de investimentos em infraestrutura digital e fortalecimento das cadeias tecnológicas ligadas à indústria 4.0.
A legislação também busca estimular atividades relacionadas a computação em nuvem, inteligência artificial e outros serviços intensivos em processamento de dados. Serviços e Informações do Brasil
Para o mercado corporativo, o avanço da capacidade nacional pode significar mais opções. A resiliência, porém, continuará dependendo da qualidade da arquitetura, da governança e do planejamento de continuidade de cada operação.
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