Reforma tributária muda o jogo e pressiona infoprodutores por gestão profissional

Live da TMB reuniu criadores, contadores e especialistas para traduzir impactos práticos da nova lógica tributária no negócio digital

Adnews

18.12.2025

Reforma tributária muda o jogo e pressiona infoprodutores por gestão profissional

A reforma tributária entrou de vez na agenda do mercado de infoprodutos e deslocou o foco das discussões para gestão, planejamento e estratégia. O tema foi o centro de uma live promovida pela TMB, que reuniu criadores de conteúdo, afiliados, contadores e especialistas para discutir, de forma prática, como as mudanças afetam cursos online, mentorias e produtos educacionais digitais.

Durante a transmissão, dúvidas recorrentes deram o tom do debate: formação de preços, emissão de notas fiscais, atuação de afiliados, coproduções e a organização financeira necessária para sustentar o crescimento. O encontro evidenciou um movimento claro do setor em direção à profissionalização.

A discussão acontece em um momento de forte expansão da educação digital no Brasil. Dados da Associação Brasileira de Startups e de entidades ligadas ao comércio eletrônico indicam que cursos livres, mentorias e treinamentos profissionais movimentam bilhões de reais por ano, atraindo desde pequenos criadores até operações altamente estruturadas.

Para Reinaldo Boesso, CEO da TMB e especialista em finanças corporativas, a reforma precisa ser encarada além do viés jurídico. “As pessoas querem entender como precificar melhor, como organizar a operação e como evitar erros que prejudiquem o negócio no futuro”, afirmou.

A substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ISS e ICMS pelo modelo de IVA Dual — com a criação da CBS e do IBS — tende a alterar a lógica de custos e margens, especialmente nos serviços digitais. Estudos do governo apontam que a alíquota padrão do IVA pode se aproximar de 25%, o que amplia a importância do controle financeiro e do planejamento de longo prazo.

Na prática, o debate se desloca para o caixa real do negócio. “A reforma traz mais visibilidade para algo que já era essencial: saber quanto sobra depois de impostos, taxas de plataforma e meios de pagamento. Quem entende isso toma decisões melhores”, explicou Boesso ao longo da live.

Modelos de venda comuns no mercado digital — como afiliados, coproduções e plataformas com divisão automática de receitas — também estiveram no centro das discussões. A necessidade de rastreabilidade, contratos claros e organização fiscal apareceu não como entrave, mas como sinal de amadurecimento do setor. “O novo sistema exige mais organização. Para quem encara o infoproduto como negócio, isso é positivo, porque traz previsibilidade e menos improviso”, avaliou um dos especialistas participantes.

Outro ponto abordado foi o split payment, previsto na reforma para o recolhimento automático de tributos. O mecanismo ainda depende de regulamentação e terá implementação gradual, mas já entrou no radar dos empreendedores digitais.

Segundo Boesso, o principal papel do encontro foi traduzir um tema complexo para o dia a dia do infoprodutor. “Não se trata de defender ou atacar a reforma, mas de ajudar o empreendedor a entender o que muda e como se organizar melhor. Quanto mais clareza, mais saudável fica o mercado”, afirmou.

O consenso entre os participantes é que a reforma não reduz o potencial da educação digital, mas reforça a necessidade de gestão estruturada. Em um setor que cresceu rapidamente, a tributação passa a integrar a agenda estratégica, ao lado de marketing, vendas e experiência do aluno.

Cinco passos para o infoprodutor se organizar diante da reforma

Especialistas reuniram orientações práticas a partir das dúvidas levantadas na live:

Definir claramente o modelo de atuação Entender se atua como produtor, afiliado, coprodutor ou prestador de serviço é essencial para contratos, notas fiscais e repasses.

Tratar a tributação como estratégia de negócio Os impostos impactam preço, margem e posicionamento do produto — não apenas a conformidade legal.

Alinhar contabilidade e planejamento financeiro O enquadramento fiscal e a leitura do caixa precisam caminhar juntos.

Revisar processos de notas fiscais e contratos Separar produtos, serviços e comissões reduz riscos e traz clareza operacional.

Planejar o crescimento com previsibilidade Fluxo de caixa, meios de pagamento e capital de giro são decisivos para escalar com segurança.

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