Restrições à publicidade de bets avançam do Rio para Belo Horizonte e ampliam debate sobre jogo responsável
Medidas municipais proíbem veiculação de anúncios de casas de apostas em espaços e equipamentos públicos; especialistas destacam a importância de combater operadoras clandestinas e promover a educação financeira
21.07.2026

Após a adoção de medidas de restrição no Rio de Janeiro, a cidade de Belo Horizonte avançou com regulamentações semelhantes para proibir a veiculação de anúncios de plataformas de apostas de quota fixa (bets) em áreas e ativos sob gestão municipal. A iniciativa amplia a discussão em capitais brasileiras sobre os limites da comunicação comercial do setor e a proteção de populações vulneráveis.
As decisões municipais visam conter o estímulo indiscriminado ao jogo e diminuir a exposição de crianças e adolescentes a peças publicitárias da categoria.
Alcance das Proibições nas Capitais
As normas estabelecidas pelos municípios impõem restrições diretas sobre a veiculação de mídia exterior e concessões públicas:
Rio de Janeiro: A vedação abrange exibições em vias públicas, mídias externas (out-of-home), mobiliário urbano e qualquer espaço cuja exploração comercial dependa de licença, permissão ou concessão do município;
Belo Horizonte: A restrição alcança imóveis, órgãos e equipamentos públicos, eventos organizados pelo município e anúncios situados em um raio de 100 metros de escolas, museus e instalações voltadas ao atendimento de crianças e jovens.
Acompanhamento, Fiscalização e Análise de Dados
Especialistas da consultoria Olho na BET avaliam que o banimento de anúncios em espaços públicos não resolve de forma isolada os impactos sociais do setor. A medida exige complementação por meio de fiscalização rigorosa, acesso à informação e combate às plataformas que operam sem licenciamento no mercado regulado.
Para mitigar condutas de risco, análises da Ernst & Young (EY) indicam que ferramentas de inteligência artificial e análise de dados podem auxiliar operadoras na detecção prévia de padrões prejudiciais. O acompanhamento de métricas como frequência de depósitos e saques, ritmo das apostas, tempo de permanência e variações atípicas no perfil do usuário possibilita intervenções preventivas antes do agravamento do quadro de compulsão financeira.
“Retirar anúncios das ruas não resolve, isoladamente, os riscos associados à atividade. O consumidor também precisa ter acesso a informações claras para reconhecer uma plataforma autorizada, compreender as regras de uso e identificar os mecanismos de proteção disponíveis no mercado regulado.” — Ana Lacativa, CEO e cofundadora da Olho na BET.
“A mudança exige que o mercado substitua o excesso de estímulos por informações verificáveis sobre licenciamento, regras de saque, condições de bônus, limites financeiros e ferramentas de jogo responsável. A confiança do consumidor dependerá cada vez mais da capacidade das empresas de demonstrar conduta responsável.” — Dyene Galantini, cofundadora e CMO da Olho na BET.
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